No dia em que o Rock in Rio reuniu ritmos diversos — do pop de Demi Lovato ao axé de Gilsons, Daniela Mercury e Olodum, passando pela música latina de J Balvin — o festival também recebeu de volta o indie-folk do Mumford and Sons. A passagem da banda pelo Brasil marcou um reencontro aguardado: o grupo não vinha ao país havia dez anos.
O retorno ganhou tom de celebração desde as declarações antes do show: Marcus Mumford afirmou que a visita anterior, no Lollapalooza, segue como uma preferência entre as apresentações do grupo. Em discurso direto, ele resumiu a empolgação e o alívio pela volta do conjunto ao público brasileiro.
“É um alívio volta. Nós nos esforçamos muito para fazer isso acontecer antes, e não conseguimos. Estamos muito animados”
No palco, o entusiasmo se traduziu em música. A banda abriu a apresentação com “Little Lion Man”, um dos clássicos que costuma incendiar plateias, e seguiu com faixas consagradas como “White Blank Page” e “The Cave”. O repertório misturou a nostalgia dos sucessos antigos com canções mais recentes, em especial material do disco “Prizefighter”, lançado em fevereiro deste ano.
O setlist buscou equilibrar memória e novidade: além dos hits que o público conhece de cor, houve espaço para trabalhos do álbum mais novo, mostrando que a banda tentou apresentar a história do disco sem deixar de lado as canções que fizeram sua base de fãs.
“Vamos fazer o melhor que pudemos”
Na plateia havia diversidade etária e um cenário afetivo que chamou atenção: crianças acompanhando letras antigas, fãs de longa data e espectadores que descobriam a banda ali. Palmas e gritos acompanharam as músicas, e a interação entre público e músicos foi um dos pontos altos da apresentação.
O clima também contribuiu para momentos memoráveis. Apesar do calor que se manteve durante a maior parte do espetáculo, uma garoa fina começou pouco antes de a banda tocar “Rushmere”, cuja letra alude a uma certa magia na chuva — coincidência que acentuou a atmosfera do show.
Ao longo da apresentação, ficou claro que o reencontro com o público brasileiro se deu de forma afetuosa e afinada: a banda mostrou-se conectada com a plateia e tecnicamente sólida, ao mesmo tempo em que mesclou emoção e energia em músicas tanto antigas quanto recentes.
Em síntese, a passagem do Mumford and Sons pelo Rock in Rio foi lembrada como um retorno importante após uma década sem shows no país, com um repertório que passeou entre clássicos e novidades e com momentos em que público e banda pareceram reviver a mesma empolgação.

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