Chegando ao Rock in Rio com infecção que preocupou fãs, Halsey subiu ao Palco Mundo e fez um show de rock pesado e momentos de leveza. A turnê destaca o novo disco The Great Impersonator.
Halsey desembarcou no Rock in Rio 2026 com uma infecção que, nos dias anteriores, deixou fãs brasileiros em alerta. Ainda assim, subiu ao Palco Mundo no último domingo, 13, e entregou um show que misturou força, ruído e momentos de leveza — uma apresentação que mostrou facetas da carreira além dos hits pop que a maioria conhece.
Com uma banda de sonoridade mais pesada e arranjos empurrados para o rock, a turnê que trouxe Halsey ao Brasil revisitou repertórios e colocou em evidência a proposta de seu quinto álbum, The Great Impersonator (2024), que dá nome à turnê. O disco, registrado durante um período marcado por tratamento de lúpus e de uma rara doença linfoproliferativa de células T, foi descrito por ela como surgido em circunstâncias extremas e carregadas de risco.
“no espaço entre a vida e a morte”
O álbum atravessa décadas e subgêneros do rock — do folk ao grunge — e, ao vivo, esse ecletismo ganhou textura e volume. A abertura veio com “Nightmare”, já com a intensidade certa para indicar o caminho do show. Em seguida vieram faixas como “I Am Not a Woman, I’m a God” e “Castle”, que confirmaram a memória e a entrega do público brasileiro.
Ao longo da apresentação, sucessos de diferentes fases apareceram com novos contornos: “You Should Be Sad” e “Bad at Love” foram cantadas em coro pelo Palco Mundo; “Hurricane” e “Gasoline” empurraram o público para os mosh pits; e “Without Me” teve o pico de participação coletiva, reforçando o peso do single no repertório ao longo dos anos.
Houve também espaço para o contraste e a delicadeza. “Colors” e “Colors Pt. II” ganharam arranjos acústicos que acionaram o mar de luzes dos celulares, criando um momento de silêncio luminoso que dialogou bem com o caos que veio antes. A transformação de “Closer” em uma versão mais suja e urgente mostrou como arranjos podem reimaginar uma faixa originalmente pop-eletrônica. Para encerrar, “Lonely Is the Muse”, do próprio The Great Impersonator, deixou um registro mais introspectivo e recente da artista.
A interação com a plateia atravessou o show. Em determinado momento Halsey pediu para a plateia acender as lanternas do celular, assumindo que o pedido soava clichê; logo depois, convocou o público a um momento de intensidade coletiva, prometendo algo grande para a turnê.
“o maior mosh de toda a turnê”
Houve também um episódio curioso: um fã passou pela tirolesa do palco durante a apresentação, o que fez a cantora interromper por um instante, olhar para cima e arrancar risadas da plateia. Esses gestos e reações ajudaram a compor a impressão de que Halsey trouxe ao Brasil uma versão de si mesma que nem sempre aparece nas paradas — uma vertente do trabalho que aposta em ruído, risco e emoção direta.
Em resumo, a passagem pelo Palco Mundo confirmou que a turnê de The Great Impersonator tem músculo suficiente para transformar o repertório e deixar uma marca mais roqueira na trajetória da artista, além de reforçar a conexão com o público em diferentes níveis de intensidade.
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