Tyler Joseph e Josh Dun comandaram um show coeso e cheio de momentos memoráveis, mesmo sob chuva. Público esteve menor do que em outros dias, mas a performance provou que o duo justificou a escolha.
Quando a organização do Rock in Rio 2026 anunciou o Twenty One Pilots como headliner, havia quem questionasse se o duo merecia o posto diante de nomes como Foo Fighters, Elton John, Maroon 5 e Calvin Harris. A apresentação de Tyler Joseph e Josh Dun, no domingo, 13, deixou claro que a escolha era justificada: a dupla entregou um show forte, coeso e com momentos memoráveis — mesmo enfrentando chuva e um público que, em comparação a outros dias, estava mais ralo.
A chuva que persistiu durante todo o dia e a presença de Zara Larsson encerrando o Palco Sunset, atraindo uma multidão, acabaram dividindo a atenção na Cidade do Rock. Ainda assim, isso não impediu que o Twenty One Pilots fizesse um concerto de alto nível em sua estreia no festival.
O repertório trouxe novidades de Breach (2025), o álbum mais recente da banda. O duo chegou ao país pouco mais de um ano e meio após realizar uma turnê solo que passou por São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. A estrutura do show não apresentou grandes surpresas para quem acompanhou a banda nos últimos anos, mas mostrou solidez e um bom equilíbrio entre faixas novas e clássicos.
O início ficou por conta do single “Overcompensate”; em seguida, Tyler Joseph e Josh Dun tocaram no Brasil, pela primeira vez, “The Contract” e “Center Mass”, músicas bastante apoiadas em sintetizadores e com letras voltadas às inseguranças pessoais. Essas escolhas demonstraram que a banda segue confortável em transitar entre eletrônica, pop e rock com arranjos que privilegiam a interação entre voz, bateria e texturas sintéticas.
No visual, a expectativa em torno do gigantesco telão de LED do Palco Mundo era alta. O recurso acabou sendo usado de forma relativamente direta: nas laterais, imagens dos dois integrantes; no retângulo superior, ilustrações e trechos de letras, como em “Next Semester”. Em alguns momentos isso soou pouco inventivo para quem esperava projeções mais conceituais.
Musicalmente, a dinamicidade aumentou com “One Way”, que se apoiou num groove de dream pop e desembocou numa ponte inesperada para um cover de “Stolen Dance”, do Milky Chance — esse foi o primeiro de três covers da noite.
Depois, a banda seguiu para uma sequência de faixas de Blurryface (2015) e Trench (2018): “Tear in My Heart”, “Jumpsuit”, “Nico and the Niners” e “Heavydirtysoul”. Josh Dun, 38 anos, fez um trabalho de bateria contundente, sustentando a energia necessária para uma formação de apenas duas pessoas enquanto Tyler circulava pelo palco em busca de conexão com o público.
Na segunda metade do show vieram algumas interações mais teatralizadas: Dun desceu do palco e subiu numa plataforma — montada para a dupla na madrugada de sábado para domingo — para executar um solo intenso durante “Drum Show”, enquanto o vocalista gritava:
CHAAAAAAANGE
O set ainda trouxe a estreia da melancólica “Drag Path” e a apresentação de uma demo experimental de “Doubt”, faixa de Blurryface que viralizou no TikTok em versão antiga e mais crua. Houve também uma interação descontraída com um segurança identificado como Jonatan, que acabou cantando o refrão de “Ride” diante da plateia.
Entre os outros momentos de cover, o duo inseriu criativamente “Believe”, de Cher, como ponte em “Tally”. O auge do segmento de covers foi um cover marcante de “Seven Nation Army”, hino do The White Stripes, que o Twenty One Pilots já havia apresentado publicamente pela primeira vez durante a indução de Meg e Jack White ao Hall da Fama do Rock, em 2025.
Para fechar, não faltaram os sucessos que todo mundo esperava: “Stressed Out” — numa versão inspirada no MTV Unplugged, com backing vocals de Dun — e “Trees”, encerrando o show com aquela mistura de nostalgia e catarse. Ao final, ficou a impressão de que a chuva foi apenas um detalhe diante de um show que consolidou o papel do Twenty One Pilots como atração principal do festival.




