Baiana consagrada, Ivete Sangalo somava 19 participações no festival até 2024, desafiando a expectativa de um evento centrado no rock. Em 2026, ela retorna e fortalece o vínculo com o público.
Quando pensamos no Rock in Rio, é natural lembrar de guitarras, baterias explosivas e nomes como Iron Maiden, Guns N’ Roses, Queen, Bon Jovi, Metallica ou Sepultura. O próprio nome do festival carrega essa herança rock. Mas há uma curiosidade que foge ao óbvio: a artista que mais vezes subiu aos palcos do Rock in Rio não vem do rock. Ivete Sangalo, baiana nata, transitando entre axé, samba, pagode e pop, construiu uma relação quase simbiótica com o festival.
Em 2024, Ivete chegou à sua 19ª participação no Rock in Rio. E neste 2026, ela retorna ao evento, consolidando um vínculo que começou em 2004 e cresceu lado a lado com as expansões e transformações do festival. A trajetória dela no evento não é apenas sobre número de apresentações: é sobre como uma artista brasileira passou a ocupar protagonismo em um palco que, originalmente, parecia destinado apenas às grandes bandas internacionais.
Ivete viu o Rock in Rio passar por diferentes fases: o festival saiu do Brasil e foi para Lisboa, Madri e Las Vegas, e ela foi junto. Essa parceria mostra não só a versatilidade da cantora, mas também a vocação do evento em se reinventar e abraçar estilos e públicos variados, transformando um encontro de música em uma plataforma ampla de entretenimento.
A cantora falou, em entrevista, sobre essa relação intensa com o festival e sobre o impacto do Rock in Rio em sua carreira. Ela atribui ao festival um papel importante no sucesso que construiu ao longo das décadas.
“O Rock in Rio tem uma responsabilidade grande no sucesso da minha carreira”
“É um palco que revolucionou mesmo as nossas histórias da música brasileira”
Ivete define sua relação com o festival com três sentimentos: alegria, gratidão e sede — sede de subir ao palco. A artista lembra que, desde 2004, muita coisa mudou nela: amadurecimento como mulher, como artista e como pessoa. Ainda assim, garante que há algo imutável:
“Mudou muita coisa. Eu amadureci como mulher, como artista e como pessoa. Aprendi muito com o palco, com o público. Mas tem uma coisa que não mudou: a vontade de estar ali e fazer um show que deixe as pessoas felizes. Acho que essa é uma parte de mim que continua exatamente igual àquela Ivete de 2004.”
Outro ponto que Ivete destaca é a relação do Rock in Rio com as novas gerações. Para ela, o festival promove o contato necessário para que pessoas jovens se emocionem com músicas e artistas que talvez não conhecessem antes. Acredita que essa troca é genuína e atemporal:
“Na música, as pessoas precisam ter contato, porque aí vão saber se vão se emocionar e o festival promove no diverso o contato com isso. A música é atemporal e o que mais importa é o contato, e no Rock in Rio essa relação da nova geração com coisas que elas não tinham contato antes, acontece. E de forma genuína.”
Ao falar sobre apresentações que marcaram sua experiência no festival, Ivete cita encontros emocionantes entre fãs e ídolos e lembra shows que a surpreenderam e a encantaram, incluindo passagens de nomes internacionais e momentos que viveu ao lado de familiares.
“É incontestável a relação de emoção de um fã com seu ídolo, e naturalmente esses encontros geram explosões de emoções. Isso vale para todos os artistas que já pisaram nesse palco. No meu olhar, muitos me surpreenderam muito, mas indiscutivelmente Stevie Wonder no Rock in Rio foi um deleite. E teve o Travis Scott, que assisti com meu filho e fiquei muito impressionada. E foi lindo (ver) a Karol Conká no palco Sunset em 2024.”
Ivete também comentou sobre a postura do festival em relação aos artistas brasileiros, ressaltando que o Rock in Rio sempre prestigiou a música do país mesmo enquanto seguia critérios internacionais para trazer atrações de fora. Ela lembra nomes do nosso cancioneiro que ganharam espaço nas edições iniciais e reforça que esse cuidado ajudou a construir uma ponte entre o mercado nacional e o internacional.
“Acredito que o Rock in Rio sempre olhou para o artista brasileiro com muito carinho…”
O balanço é claro: a relação entre Ivete e o Rock in Rio é histórica, cheia de reciprocidade e marcada por momentos que ultrapassam gêneros. Em 2026, com mais uma participação programada, a cantora segue alimentando a sede de palco que a acompanha desde 2004 — e o festival, por sua vez, mantém sua tradição de reunir multidões em torno da música.


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