Zara subiu ao Palco Sunset às 22h55 e embalou a plateia com coreografias precisas, estética visual marcante e até um fã no palco. A passagem da Midnight Sun Tour pelo Brasil reforçou seu momento de destaque.
Havia uma energia particular no Palco Sunset quando Zara Larsson entrou em cena às 22h55 do domingo, 13. Era aquela sintonia rara em que artista e plateia pareciam respirar no mesmo ritmo, e a sensação de festa já estava no ar antes do primeiro acorde. A cantora sueca encerrou a programação do palco com um dos shows mais divertidos desta edição do Rock in Rio: coreografias precisas, estética visual consistente, um fã no palco e a impressão constante de que todo mundo estava exatamente onde queria estar.
A Midnight Sun Tour chegou ao Brasil em um momento de pico na carreira de Zara. O quinto álbum de estúdio, Midnight Sun (2025), recolocou a artista em destaque após anos de construção de uma base sólida de hits. “Stateside”, parceria com PinkPantheress, alcançou o número um nas paradas globais, e “Midnight Sun”, a faixa-título, virou fenômeno de coreografia nas redes sociais. Com um repertório acumulado ao longo de mais de uma década — de “Lush Life” e “Never Forget You” a “Ruin My Life” e “Ain’t My Fault” —, ela tem um dos setlists mais completos do pop europeu atual, capaz de equilibrar sucessos antigos e novidades do álbum mais recente.
O show abriu e terminou com “Midnight Sun” — uma escolha que só funciona quando a música sustenta a posição duas vezes, e neste caso funcionou muito bem. Entre uma e outra, o set foi uma sequência quase ininterrupta de acertos: “Can’t Tame Her”, “Hot & Sexy”, “Ain’t My Fault” — que incorporou elementos de “Ain’t My Fault”, de Sexyy Red —, “Pretty Ugly”, “Stateside”, “Never Forget You”, “Ruin My Life”, “Uncover”, “Lush Life” e “Symphony”, que sempre rende um momento catártico ao vivo. Em um dos movimentos mais certeiros da noite, Zara ainda apresentou sua versão de “She Did It Again”, de Tyla, mostrando o quanto ela dialoga com o pop contemporâneo.
A produção estava à altura do repertório: coreografias limpas e bem ensaiadas, com Zara e suas dançarinas em total sintonia; uma estética visual com identidade própria; e um jogo de luzes que acompanhou cada mudança de clima do set. A direção de palco soube colocar elementos cênicos e coreográficos de forma a amplificar tanto os números mais dançantes quanto os momentos mais íntimos, sem perder a coesão do espetáculo.
Em um dos pontos altos do show, Zara convidou um fã da plateia para subir ao palco e dançar com ela — um ritual que faz parte da turnê e que, no Rock in Rio, teve impacto amplificado: o sortudo correspondeu à altura e arrancou gritos e aplausos de todo o público. A resposta da plateia foi constante do início ao fim, com gritos, coro e mãos no ar, acompanhando a cantora em cada refrão e transição.
Para uma noite que começou com Ivete Sangalo e passou por apresentações de Lola Young, Halsey e Twenty One Pilots, fechar o Palco Sunset com essa energia era uma tarefa difícil. Zara Larsson cumpriu a missão e entregou um dos shows mais memoráveis do último dia do Rock in Rio 2026. Ao final, ficou claro que o Palco Sunset ficou pequeno para o que ela tem a oferecer; quando voltar ao Brasil — e que volte logo —, o Palco Mundo parece ser o lugar certo.
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