Lançado em 4 de setembro de 2001, o segundo álbum marcou a virada do System of a Down, mostrando maturidade composicional e arranjos mais trabalhados. A postura política da banda passou a ocupar espaço no mainstream do rock.
O lançamento de Toxicity, em 4 de setembro de 2001, representou um ponto de inflexão na carreira do System of a Down. Antes disso, o quarteto já havia chamado atenção com o álbum de estreia, System of a Down (1998), mas era com o segundo disco que a banda mostrou um grau de maturidade composicional, arranjos mais trabalhados e uma postura política que passaria a ocupar espaço no mainstream do rock.
Enquanto o primeiro álbum soava como uma banda ainda em descoberta de identidade, Toxicity revelou intenções mais claras. Havia um esforço deliberado para aprimorar timbres e texturas: Daron Malakian chegou a gravar várias camadas de guitarra para criar um som que dificilmente poderia ser reproduzido por uma única pessoa. O produtor Rick Rubin, por sua vez, defendia uma abordagem atemporal, evitando artifícios tecnológicos ligados a modismos da época. O próprio volume de material composto pela banda foi tão grande que gerou conteúdo suficiente para dois discos, exigindo um processo seletivo rigoroso.
As decisões sobre as faixas de Toxicity passaram por um crivo coletivo. Os quatro integrantes — Daron Malakian, Serj Tankian, Shavo Odadjian e John Dolmayan — avaliaram as músicas de forma anônima junto com Rubin e o empresário David “Beno” Benveniste. Tudo que recebia a nota máxima do grupo seguia para o disco, o que resultou em uma obra coesa e equilibrada entre experimentação sonora e canções diretas.
“Muitas pessoas chamam o System of a Down de nu metal e, para ser honesto, eu nunca me senti parte disso. Sim, nós surgimos em Los Angeles com muitas dessas bandas e, sim, tocamos nos primeiros Ozzfests com muitas dessas bandas, mas eu nunca senti que a gente soasse como muitas dessas bandas. Eu tenho um gosto musical amplo e é por isso que o System of a Down passa por muitos sentimentos, humores e estilos diferentes — não ficava preso só ao metal.”
As influências folclóricas e elementos de música do Oriente Médio foram usados de forma orgânica, contribuindo para a identidade própria do álbum. A voz operática e idiossincrática de Serj Tankian combinou com o timbre anasalado de Malakian, criando harmonias e contrastes marcantes. As letras transitavam entre surrealismo poético e denúncias diretas: vício, suicídio, violência institucional e críticas ao sistema prisional estadunidense apareceram com força em faixas como “Needles”, “Chop Suey!”, “Bounce”, “ATWA” e “Prison Song”.
“Delitos leves de drogas enchem suas prisões; você nem pestaneja Todos os nossos impostos pagando suas guerras contra os novos não-ricos Eu compro meu crack, minha heroína, minha garota bem aqui em Hollywood A porcentagem de americanos no sistema prisional, o sistema prisional dobrou desde 1985”
O contexto histórico também marcou a recepção do álbum. Após a estreia da obra, os ataques de 11 de setembro de 2001 provocaram mudanças imediatas na indústria: a maior rede de rádio dos Estados Unidos instituiu uma lista de faixas consideradas sensíveis, e “Chop Suey!” surgiu entre as músicas retiradas da programação. Dois dias depois dos atentados, Serj Tankian publicou um texto intitulado “Understanding Oil”, no qual examinou as origens de tensões no Oriente Médio e as relações com a política externa estadunidense. A posição do vocalista gerou desconforto entre executivos da gravadora e críticas da imprensa conservadora, mas o público reagiu de forma positiva ao comprometimento político e à franqueza das convicções apresentadas pela banda.
Hoje, Toxicity é visto como o trabalho que consolidou o System of a Down — não apenas como força musical, mas como grupo disposto a misturar sonoridades, arriscar liricamente e enfrentar controvérsias públicas. O álbum marcou a banda e ajudou a transformar um grupo que tocava poucas vezes por ano em referência nas grandes turnês e na memória do rock dos anos 2000.
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