Em 2009 a banda vivia ascensão após o sucesso de City of Evil e do álbum de 2007, caminhando para um estouro definitivo. O baterista Jimmy Sullivan ampliou seu papel criativo e sua morte mudou o destino do grupo.
A história do Avenged Sevenfold, uma das bandas de metal mais influentes do século 21, foi marcada por uma perda que mudou o rumo do grupo: a morte do baterista Jimmy “The Rev” Sullivan. Em 2009, a banda vivia um momento de ascensão. O álbum Avenged Sevenfold (2007) havia alcançado o quarto lugar nas paradas americanas, sucedendo o sucesso de City of Evil (2005), e os integrantes trabalhavam em novas canções com a sensação de que um estouro definitivo poderia acontecer.
Naquele período criativo, o papel de The Rev extrapolou a função tradicional de baterista. Jimmy passou a contribuir muito mais com composições, arranjos e melodias, inclusive ao piano, algo que mudou a dinâmica do grupo e ajudou a empurrar o trabalho do Avenged Sevenfold para sonoridades mais ambiciosas e variadas, com influências que iam do jazz ao progressivo e ao experimental.
O guitarrista Zacky Vengeance recordou o momento em que Jimmy parecia estar em um fluxo criativo intenso. Segundo ele, o baterista vivia produzindo ideias, adicionando partes e trabalhando sem parar para que as músicas evoluíssem.
“Jimmy estava compondo mais para este álbum do que ele jamais havia composto. A mente dele estava simplesmente fluindo. Ele tinha todas essas ideias. Tudo que as pessoas estavam criando, ele amava. E se você mostrasse algo, ele acrescentava algo ou se matava de trabalhar para garantir que pudéssemos usar aquilo. Ele ia para a casa do Matt e gravava bateria todo dia, ou ia para a casa do Brian, eles ficavam bêbados, compunham e depois, às 4 da manhã, ele vinha para a minha casa, tocava piano e a gente ficava lá só curtindo. Ele estava, literalmente, esgotando cada gota do que ainda tinha. É nisso que eu realmente acredito. Ele estava colocando tudo, tipo, mostrando tudo para o mundo.”
No fim de dezembro de 2009, a banda já havia finalizado as composições do disco que viria a ser Nightmare. Restavam apenas as letras e as gravações. Perto do Natal, Rev concluiu a letra de uma música então intitulada “Death”, cujos versos soavam, em retrospecto, como uma espécie de mensagem inquietante sobre descanso e paz do outro lado.
“Gave you all I had to give Found a place for me to rest my head While I may be hard to find Heard there’s peace just on the other side.”
“Te dei tudo que tinha para dar Achei um lugar para descansar Eu posso ser difícil de achar Mas ouvi falar que há paz do outro lado”
No dia 28 de dezembro de 2009, Jimmy Sullivan foi encontrado desacordado em sua casa em Huntington Beach, na Califórnia. Ele foi levado por paramédicos a um hospital, onde foi declarado morto. Um exame toxicológico apontou overdose acidental de calmantes, opióides e álcool, agravada por um coração maior que o normal. Jimmy tinha 28 anos.
Os colegas lembraram que, apesar de problemas com bebida e uso de drogas ao longo da carreira, as cenas das horas que antecederam a morte não pareciam, aos olhos de quem estava com ele, fora do comum. O vocalista M. Shadows descreveu como a noite anterior parecia normal, ainda que Jimmy estivesse visivelmente embriagado.
“Eu sei que ele estava completamente bêbado, mas era assim que ele era. Não tinha nada de diferente de qualquer outra noite. Até dei uma bronca nele naquela noite. Eu disse: ‘Cara, você tá realmente trêbado agora’. Ele ficou tipo: ‘Isso não é uma coisa boa, né?’. Tipo, realmente transtornado. Mas ele sempre era tão animado, que você não conseguia ficar bravo com ele. E o que eu ia fazer? Ele é um homem de 28 anos. Tirar a cerveja da mão dele? Ele estava se divertindo pra caramba, tocando piano, cantando, as pessoas sentadas só observando e ele enlouquecendo, barba grande e tocando com cinco drinks ao redor dele, porque era assim que ele era. Seis horas depois, ele morreu.”
A morte de Jimmy foi tratada pela banda e pela família como um acidente. Para concluir o álbum Nightmare, as partes que seriam gravadas por Rev foram assumidas por Mike Portnoy, do Dream Theater, que também participou da turnê. Depois do período de transição, Arin Ilejay assumiu as baquetas do Avenged Sevenfold até 2015, quando Brooks Wackerman entrou no lugar.
Mesmo anos depois, o nome e a presença de Jimmy continuaram vivos nas memórias do grupo. Em 2025, Brooks Wackerman comentou como a lembrança do baterista estava presente no cotidiano da banda, com histórias e memórias sendo compartilhadas com regularidade. Zacky Vengeance também falou sobre o impulso de terminar o disco em homenagem ao amigo, lembrando que, naquele momento, a prioridade foi honrar o trabalho de Jimmy.
“Não sabíamos se seríamos uma banda depois, mas tínhamos que terminar esse disco por nosso amigo.”
M. Shadows refletiu ainda sobre como a música do grupo poderia ter evoluído caso Jimmy tivesse seguido vivo: embora a direção artística pudesse ser semelhante, ele acreditava que Sullivan teria acrescentado um brilho e elementos únicos que só surgem entre pessoas que crescem e tocam juntas desde cedo.
“Falávamos a mesma língua de um jeito que só se consegue quando se cresce junto e tem as mesmas experiências e referências. Algo assim não se substitui. Se ele ainda estivesse conosco, acho que teríamos mais algumas músicas brilhantes. Acho que a ideia seria a mesma — Synyster, Zacky e eu sempre impulsionamos isso —, mas acho que haveria brilho extra e mais elementos. Só podemos imaginar.”
Até hoje, a trajetória e a morte de The Rev permanecem como capítulos centrais na história do Avenged Sevenfold: uma mistura de talento, excesso, amizade e a tentativa de transformar luto em música.
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