Aos 84 anos, Gilberto Gil subiu ao Palco Mundo e percorreu clássicos que marcaram décadas, em um show carregado de memórias e emoção. O artista antecedeu Elton John no festival, reforçando o tom de possível despedida.
Gilberto Gil, aos 84 anos, subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio na noite desta segunda-feira, 7, em uma apresentação que juntou clássicos de sua carreira e um clima que soou, para muitos, como uma possível despedida. O show foi marcado por sucessos que atravessam décadas e por momentos em que o artista olhou para a própria trajetória, ressaltando a relação que tem com o festival desde a sua primeira edição.
O cantor foi a atração que antecedeu Elton John, que se apresenta no festival poucas horas depois em um dos últimos shows de sua carreira no Brasil. Ao revisitar memórias, Gil lembrou que esteve na programação da primeira edição do evento, em 1985, e destacou o tempo decorrido desde então. A volta ao festival, mais de quatro décadas depois daquela estreia, ganhou um tom pessoal e reflexivo.
Talvez seja o último
A declaração chegou ao público em um momento em que o artista já demonstrava intimidade com o repertório e com a plateia. Ao dizer isso, afirmou Gil, provocando uma reação imediata da plateia; o comentário arrancou suspiros e protestos do público, que manifestou não querer ver o cantor se despedir tão cedo.
A possibilidade de que esse seja um dos últimos grandes shows de Gilberto Gil não é novidade recente. Em março deste ano, o cantor encerrou a turnê Tempo Rei, apresentada como sua última grande série de shows. Desde então, ele não descartou completamente voltar aos palcos, mas também não se mostrou certo de que aceitará novos convites para festivais e grandes eventos.
No espetáculo da noite de segunda, a sensação era de viagem no tempo: além das canções que marcaram gerações, houve momentos de narrativa sobre encontros e marcos históricos ligados ao próprio Rock in Rio. A conversa com o público teve tom afetivo, com o público retribuindo tanto com carinho quanto com o desejo explícito de que o artista permaneça ativo por mais tempo.
O fato de Gil ter participado da primeira edição do festival, em 1985, e retornar ao mesmo palco em 2026 chamou atenção para a longevidade de sua carreira e para a forma como artistas históricos se relacionam com eventos que também mudaram ao longo das décadas. A apresentação desta segunda-feira serviu tanto como celebração quanto como ponto de interrogação sobre o futuro dos grandes shows do cantor.
Com o comentário sobre a possibilidade de ser uma despedida, Gil deixou no ar uma mistura de nostalgia e indefinição. A resposta da plateia, entre protestos e aplausos, deixou claro que, pelo menos naquela noite, havia um desejo coletivo de que a música e a presença do artista ainda tenham lugar nos palcos por mais tempo.
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