Will Lovelace e Dylan Southern entregam um registro emotivo da reunião de 2025, privilegiando espetáculo e sentimentos em vez de escândalos. Arquivos e imagens de fãs reconstroem a história desde 1994.
Don’t Look Back in Anger entrega um registro potente e emotivo da grandiosa turnê de reunião do Oasis em 2025, mostrando com naturalidade por que a banda significou tanto para uma geração. Os diretores Will Lovelace e Dylan Southern, com o curiosamente creditado criador e roteirista Steven Knight, preferiram colocar o espetáculo e suas emoções no centro, em vez de buscar escândalos ou revelações bombásticas.
O filme reconstruiu a trajetória do grupo por meio de arquivos de notícias e imagens de fãs, partindo desde o lançamento de Definitely Maybe, em 1994 — apontado como o álbum de estreia vendido mais rapidamente na história britânica — até a separação tumultuada da dupla antes de um show em Paris, cerca de 15 anos depois. A partir daí, o documentário conduziu o público aos bastidores: aos ensaios da reunião, aos quais teve acesso discreto, e às rotinas que prepararam a banda para os palcos da Europa, América do Norte e América do Sul.
Ao longo de seis semanas, o trabalho de Noel para organizar a banda e afinar arranjos ficou claro, enquanto a presença e a energia vocal de Liam mantiveram a força punk que sempre marcou suas performances. Mesmo que o filme fosse composto apenas por horas de apresentações, teria sido um grande registro — mas a combinação entre shows, trechos de entrevistas e depoimentos de fãs transformou tudo numa experiência mais rica e humana.
O conteúdo das apresentações foi tratado com generosidade: os fãs receberam “Hello” com entusiasmo arrebatador em Cardiff; “Bring It On Down” incendiou Seul; e “Don’t Look Back in Anger” provocou um coro histórico em Wembley. Em São Paulo, “Live Forever” ganhou carga emocional adicional quando Liam a dedicou a Gary “Mani” Mounfield, do Stone Roses, após sua morte.
O documentário também destacou episódios curiosos e afetuosos da turnê: uma fã que batizou o cachorro de Bonehead, em homenagem ao guitarrista original, mereceu atenção e carinho; em outro momento, a ligação da banda com o futebol foi celebrada quando Liam incentivou a plateia a fazer o Poznań durante “Cigarettes and Alcohol”. A cena contou com um detalhe divertido: um recorte de papelão em tamanho real dos irmãos Gallagher e do então técnico do Manchester City, Pep Guardiola, decorava o palco todas as noites.
Quem já conhecia o trabalho anterior de Lovelace e Southern notará a mesma sensibilidade para captar multidões e cenas íntimas: fãs chorando, dançando e comemorando aparecem com naturalidade, e cada canção foi costurada a entrevistas curtas com espectadores, a Noel ou a Liam. O resultado foi um filme que não inventou uma nova fórmula, mas conseguiu traduzir por que essas músicas continuam tão fundamentais.
No fundo, Don’t Look Back in Anger ofereceu um relato caloroso da turnê de 2025, deixando o espectador com a sensação de ter participado de algo coletivo, carregado de memória e energia — exatamente como acontece ao ouvir os grandes êxitos do Oasis.
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