O escocês fechou o domingo chuvoso no Rock in Rio como primeiro DJ a ser headliner do Palco Mundo, levando a eletrônica ao encerramento. Com quase 80 milhões de ouvintes, Harris virou festa na chuva.
Calvin Harris fechou a programação do domingo (6) chuvoso no Rock in Rio e marcou um capítulo novo na história do festival: 25 anos depois de sua estreia em estruturas menores, a música eletrônica chegou a comandar o Palco Mundo com o primeiro DJ a ser headliner na trajetória de mais de quatro décadas do evento. O fechamento ficou por conta do DJ e produtor escocês, que carregou a responsabilidade de transformar uma noite molhada em festa.
Com quase 80 milhões de ouvintes mensais no Spotify e mais de 35 bilhões de streams somados em diferentes plataformas, Harris era um dos nomes mais indicados para essa missão. O set reuniu um catálogo extenso de hits que percorre boa parte da carreira do artista, do momento inicial com “I’m Not Alone” até lançamentos mais recentes como “Blessings”.
Em uma linha tênue entre eletrônica e pop, a apresentação começou com “Sweet Nothing”, parceria com Florence Welch, já sinalizando a jornada de sucessos que viria a seguir. Clássicos com vocalistas parceiros também integraram o repertório: músicas com Ellie Goulding — “Outside”, “I Need Your Love” e “Miracle” —, os hits com John Newman — “Summer” e “Blame” —, colaborações com Dua Lipa como “One Kiss”, e interpretações de canções com Rihanna, incluindo “This Is What You Came For” e “We Found Love”.
Outras faixas que evocaram cantos coletivos do público foram “Feel So Close”, “Under Control”, “How Deep Is Your Love”, “Bounce” e “We’ll Be Coming Back”. Ao longo da madrugada, o set ainda trouxe “Good Feeling”, de Avicii, além de inserir clássicos da cena eletrônica como “Insomnia” (Faithless), “Eat Sleep Rave Repeat” (Fatboy Slim), “Children” (Robert Miles) e “Hey Boy Hey Girl” (The Chemical Brothers).
Além do repertório afiado, o show se apoiou em um trabalho de visuais robusto: os 2.400 m² de painéis de LED exibiram imagens do próprio DJ e, principalmente, do público presente, ampliando a sensação de participação coletiva. A escolha de exibir o público reforçou a dinâmica entre artista e plateia, um componente importante em noites de grande energia.
Vale lembrar que Calvin Harris não costuma excursionar em turnês extensas e aceita datas pontuais. Após sua passagem pelo Carnaval de São Paulo, quando se apresentou em um trio elétrico, a atuação no Rock in Rio pareceu confirmar a percepção do artista sobre o carinho e a força do público brasileiro.
O clima fora do palco também virou elemento do espetáculo: a chuva que caía na Cidade do Rock por quase 12 horas não conteve a vontade de dançar. Ao contrário, havia uma sensação de unidade — um espaço que funcionou como uma grande pista de dança, com fãs espalhados do front até o final da multidão, muitos ali apenas para aproveitar e extravasar ao som de faixas, por vezes, carregadas de nostalgia.
Seja pelo ineditismo de um DJ como atração principal do Palco Mundo, pelo repertório repleto de hits ou pelos visuais, a passagem de Calvin Harris pelo festival deixou claro que a eletrônica tem espaço amplo no cenário de shows brasileiros.
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