O diretor diz que teve o estalo ouvindo um disco da cantora indo à praia, vendo o potencial da trajetória para o cinema. Dois anos depois a produtora Iafa Britz comprou os direitos e o convidou para dirigir.
A ideia de transformar a vida de Cássia Eller em filme surgiu na cabeça do diretor Diego Freitas ainda antes de existir um projeto formal. Segundo ele, o estalo aconteceu enquanto ia a caminho da praia ouvindo um disco da cantora: foi nesse momento que percebeu a força que a trajetória dela poderia ter nas telas.
Dois anos depois, essa vontade ganhou contorno: Freitas recebeu uma ligação da produtora Iafa Britz, que havia adquirido os direitos para a realização do longa e quis saber se ele tinha interesse em dirigir. O convite foi decisivo para o cineasta, que já nutria uma afinidade profunda com a obra de Cássia.
“Foi um dos melhores presentes que eu podia ter, porque eu sempre fui apaixonado por ela”
Ao aceitar o desafio, Freitas também enfrentou o nervosismo natural de quem se dispõe a retratar uma figura complexa e querida pelo público. Para o diretor, reduzir a história de Cássia apenas a um recorte cronológico seria insuficiente: há camadas na vida da cantora que merecem atenção além da carreira musical.
“A história da Cássia é muito maior do que as pessoas sabem”
Em vez de seguir uma biografia linear, Freitas preferiu ancorar a narrativa no legado deixado por Cássia. A música permanece como eixo central, claro, mas o ponto de vista do filme busca revelar outros aspectos — pessoais, afetivos e sociais — que ajudaram a definir quem ela foi como artista, mulher e mãe.
“A maneira que eu procurei olhar é olhar pra um tema, que é o legado que ela deixou”
O anúncio do elenco traz Luisa Arraes como a intérprete escolhida para dar vida à cantora. A atriz foi selecionada após um processo que reuniu mais de cem testes com candidatas de várias regiões do país ao longo de cinco meses. No material exibido durante a apresentação, foram mostradas imagens de arquivo de Cássia e depoimentos de Freitas e de Maria Eugênia, companheira da cantora.
Segundo a sinopse oficial, Cássia – O Filme acompanhará a ascensão da artista em uma narrativa que equilibra apresentações públicas marcantes e momentos íntimos inéditos. Expectativas já apontam para recriações de shows importantes, incluindo a apresentação no Rock in Rio 2001, ao lado de cenas que exploram a vida pessoal e a busca por liberdade artística.
“A Cássia tinha uma energia muito própria, muito verdadeira, e a Luisa também tem isso. Ela consegue ser forte e delicada ao mesmo tempo, sem parecer calculado. Em nenhum momento eu queria alguém tentando reproduzir trejeito ou fazer uma caricatura. O mais importante era encontrar uma atriz que transmitisse a alma da Cássia”
As filmagens do longa começam em outubro. Parte do elenco permanece em fase de seleção sob a direção do diretor de elenco Gabriel Domingues, indicado ao Oscar de Melhor Direção de Elenco por O Agente Secreto. O roteiro é assinado por Bia Crespo e Fernando Bonassi. A produção será da Migdal Filmes, em coprodução com a H2O Produções e a Diadorim Ideias, com distribuição da H2O Films.
O projeto promete equilibrar reverência à figura pública de Cássia e um olhar cuidadoso sobre as dimensões menos conhecidas de sua história, com a intenção de apresentar ao público uma narrativa que vá além dos palcos.
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