Depois de lotar São Paulo em 2024, o quinteto retornou ao Brasil e abriu para o Avenged Sevenfold em 5/9/2026. Transformou a escalação em show principal e se firmou como referência do metal contemporâneo.
Após lotar um estádio em São Paulo no fim de 2024, o Bring Me the Horizon voltou ao Brasil para um novo capítulo: foi escalado como atração de abertura do Avenged Sevenfold no chamado “dia do metal” do Rock in Rio, e transformou a oportunidade em algo muito maior do que o rótulo de abertura sugeria. A apresentação aconteceu no sábado, 5 de setembro de 2026, e provou que a banda já é referência do que se costuma chamar de metal contemporâneo.
O quinteto inglês — Oli Sykes (voz), Matt Nicholls (bateria), Lee Malia (guitarra) e Matt Kean (baixo), acompanhados do guitarrista de turnês John Jones — chegou ao palco após um período de transição sonora que incorporou elementos de pop e hyperpop à base pesada original. A saída do tecladista Jordan Fish, em 2023, foi lembrada como marco dessa nova fase, que não é estática: a banda tem mudado de sonoridade com frequência e, no conjunto da apresentação, isso funcionou bem.
Na visão apresentada durante o show, tudo parecia pensado como parte de um mesmo universo estético. Nos minutos que antecederam o início, os telões exibiram uma interface que remetia a videogame de gerações passadas, preparando o público para um espetáculo que queria ser interativo desde a primeira nota. As câmeras também buscaram o público colado à grade, como se o evento tivesse sido concebido para envolver plateia e produção de forma direta.
No repertório, a alternância entre momentos pop e passagens mais agressivas foi constante. A abertura com DArkSide teve papel de porta de entrada, com produção grandiosa e guitarras presentes; em seguida, The House of Wolves trouxe uma agressividade mais direta e o primeiro pedido por rodas no público. Happy Song e seus refrães pensados para multidões comprovaram a habilidade do grupo em construir coros que funcionam como instrumentos coletivos.
Teardrops foi apontado como um dos melhores momentos, por equilibrar melodia acessível e peso suficiente para manter a raiz pesada perceptível. Do outro lado do espectro, Dehumanized trouxe guturais e screams, emendando com relances ao passado da banda, como a regravação de material do álbum Count Your Blessings (2006). Houve ainda referências a faixas mais antigas como Pray for Plagues, que recuperou um deathcore de outra fase da carreira. Durante essa parte, ocorreu a participação de um fã identificado como JP.
Para fechar, a banda desacelerou com Doomed e preparou o terreno para Drown, quando Oli desceu até a plateia, reforçando seu papel de mediador entre a produção grandiosa e o teor íntimo das canções. Throne devolveu escala ao espetáculo antes de Can You Feel My Heart encerrar o set em tom pop. No balanço final, não ficou dúvida de que o Bring Me the Horizon fez um show de atração principal, mesmo aguçando o debate sobre o momento ideal para ocuparem esse lugar no festival.
Setlist
- DArkSide
- The House of Wolves
- Happy Song
- Teardrops
- Dehumanized
- Project Angel Dust / Kool-Aid
- Shadow Moses
- Itch for the Cure (When Will We Be Free?) / Kingslayer
- Pray for Plagues
- Doomed
- Drown
- Throne
- Can You Feel My Heart
Um detalhe extra do vínculo com o público brasileiro: Oli Sykes é casado com a brasileira Alissa Salls e tem residência em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, e, segundo rumores, planeja uma mudança para o Rio de Janeiro — elementos que ajudaram a tornar a interação com a plateia ainda mais próxima.
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