A mostra gratuita abre em 8 de setembro no Centro Cultural Coreano em São Paulo e explica como o K-pop dialoga com o gugak, a música tradicional coreana. Peças, vídeos e performances ilustram essas conexões.
O ano de 2026 já entrou para a história do K-pop no Brasil. Em setembro, o Rock in Rio vai contar com o Stray Kids como headliner do Palco Mundo, enquanto o BTS reúne o ARMY no MorumBIS para três noites. Em meio ao auge dos estádios lotados e fandoms mobilizados, São Paulo também abre espaço para olhar as raízes desse fenômeno.
A partir de 8 de setembro, o Centro Cultural Coreano no Brasil recebe a exposição gratuita “K-Pop encontra a Música Tradicional Coreana”, que explora as conexões entre o pop contemporâneo e o gugak, conjunto de manifestações da música tradicional coreana. A mostra propõe uma leitura que parte do presente e volta ao passado para mostrar como elementos tradicionais seguem vivos e sendo reconfigurados no cenário cultural sul-coreano.
“Há muitos jovens brasileiros que sabem cantar de cor músicas em coreano. A exposição oferece a esses jovens a oportunidade de conhecer uma camada mais profunda da cultura coreana: descobrir de onde vem esse som, quem o preservou ao longo dos séculos e por que ele continua vivo”
Afirma Jeonghee Jeong, diretora do Centro Cultural Coreano no Brasil. A fala reforça a proposta da exposição de dialogar com públicos acostumados ao K-pop — antes dos lightsticks e das arenas — e apresentar a tradição sonora e ritual que também compõe a identidade musical da Coreia.
O percurso da mostra está dividido em três eixos que explicam parte dessas referências: Gut, Gat e Kkun. Gut explora rituais e a relação entre vivos e espíritos, um universo que também ecoa em narrativas contemporâneas como as presentes em algumas obras do pop coreano. Gat parte do tradicional chapéu coreano para abordar o pungryu, conceito ligado à contemplação e à experiência artística. Já o eixo Kkun destaca manifestações como o pansori e o pungmul, marcadas pela potência vocal, percussão e força coletiva.
Além das instalações conceituais, a exposição reúne instrumentos tradicionais — como gayageum, haegeum e janggu —, indumentárias e objetos rituais que ajudam a traçar a continuidade entre prática antiga e invenção contemporânea. A programação inclui a Árvore Dangsan, um espaço para visitantes deixarem desejos, apresentações de música tradicional e oficinas práticas voltadas a diferentes idades.
No geral, a proposta é clara: antes dos shows e da indústria que exportou o K-pop pelo mundo, havia séculos de música, ritual e prática social que continuam a alimentar a cena atual. A exposição convida o público a mapear essas conexões e a reconhecer a persistência e a reinvenção das tradições na produção artística sul-coreana contemporânea.
K-Pop encontra a Música Tradicional Coreana
- Quando: de 8 de setembro a 8 de novembro de 2026
- Onde: Centro Cultural Coreano no Brasil — Av. Paulista, 460, térreo, Ed. Pedro Biagi, Bela Vista, São Paulo
- Horários: terça a sábado, das 10h às 18h30; domingos e feriados, das 11h às 17h
- Entrada: gratuita
- Classificação: livre
- Realização: Centro Cultural Coreano no Brasil e Centro Nacional de Gugak
Para quem está acompanhando a nova onda do K-pop no país, a mostra surge como uma oportunidade de ampliar o olhar e entender as camadas históricas que ajudam a formar um cenário musical globalizado e em constante transformação.

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