O analista junguiano Waldemar Magaldi Filho, mestre e doutor em ciências da religião e fundador do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP), publicou um artigo na edição de agosto de 2025 da Ilustríssima, caderno da Folha de S.Paulo, no qual investiga a velha questão sobre o que conduz a existência humana: um destino já traçado, eventos fortuitos ou a própria liberdade de escolha.
Três forças em tensão
No texto, Magaldi descreve a vida como um “terreno” onde convivem simultaneamente três forças:
- Destino – entendido como uma direção interna que funciona como bússola, não como trilho fixo;
- Acaso – que pode ganhar sentido quando coincidências se revelam sinais, fenômeno que ele relaciona às sincronicidades descritas por Carl Jung;
- Livre-arbítrio – a capacidade de cada pessoa escolher como navegar entre as duas primeiras forças.
Referências biológicas e simbólicas
O autor recorre à neurociência para mostrar que o cérebro humano combina instinto, emoção e pensamento, o que abriria espaço para decisões conscientes. Ao mesmo tempo, lembra narrativas míticas e históricas para ilustrar o conflito entre determinação e liberdade, como o percurso de Jonas, da tradição bíblica, e a trajetória política de Nelson Mandela.
Mandela como exemplo
Segundo Magaldi, a firmeza de Mandela durante 27 anos de prisão poderia ser vista tanto como resposta a um chamado interno quanto como exercício de livre-arbítrio. O poema “Invictus”, de William Ernest Henley, citado pelo líder sul-africano, aparece no artigo como símbolo da escolha humana de comandar o próprio destino.
Imagem: redir.folha.com.br
Conclusão aberta
O analista afirma que nenhuma das três forças isoladamente explica a experiência humana e propõe que a liberdade talvez resida em dialogar com todas elas. Para o autor, aceitar o mistério já seria parte do “destino” de cada um.
Com informações de Folha de S.Paulo
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