Vídeos que incentivam a abandonar o protetor solar ou substituí-lo por receitas caseiras ganharam terreno em plataformas como TikTok, Instagram e YouTube. Enquanto influenciadores defendem a exposição direta ao sol para “fortalecer a imunidade”, especialistas em saúde pública alertam que evitar o produto aumenta o risco de câncer de pele a longo prazo.
Como funciona o protetor solar
As fórmulas disponíveis se dividem em duas categorias:
Químicos: utilizam substâncias como avobenzona, oxibenzona e octocrileno para absorver a radiação ultravioleta e transformá-la em calor, antes que alcance a pele.
Minerais: baseadas em óxido de zinco ou dióxido de titânio, criam uma barreira física que reflete os raios UV.
Por que cresce o ceticismo
A desconfiança em relação a indústrias farmacêuticas e órgãos reguladores estimula o movimento conhecido como MAHA (Make America Healthy Again), ligado a apoiadores de Robert F. Kennedy Jr. Nas redes, usuários questionam ingredientes como oxibenzona e dióxido de titânio ou alegam irritação cutânea para migrar a opções “naturais”.
Summer Whiteside, 31, enfermeira de pronto-socorro em Wildomar (Califórnia), exemplifica o grupo. “Sou definitivamente uma mãe MAHA”, afirmou por mensagem. Ela prefere camisetas de manga longa para os filhos e aplica protetor apenas no rosto das crianças, sempre na versão mineral.
O que diz a ciência
Dermatologistas lembram que não há estudos em humanos confirmando que os filtros aprovados causem câncer. “Oxibenzona é usada desde os anos 1970; já teríamos detectado problemas se existissem”, afirma Henry W. Lim, do Henry Ford Health.
Pesquisas reforçam a eficácia do uso diário:
Imagem: até R via redir.folha.com.br
- Estudo Nambour (Austrália): acompanhamento de 1.600 pessoas por cerca de 10 anos mostrou menor incidência de melanoma entre quem aplicava protetor todos os dias.
- Cohort norueguês: análise com mais de 143 mil mulheres indicou risco 33% menor de melanoma para usuárias de FPS 15 ou superior.
A Academia Americana de Dermatologia recomenda filtro de amplo espectro com FPS 30 ou mais, inclusive em dias nublados.
Regulação nos Estados Unidos
A Food and Drug Administration (FDA) não atualiza de forma significativa sua monografia de protetores solares desde 1999. O atraso impede a entrada de ativos mais modernos já utilizados na Europa e na Ásia, o que leva parte dos consumidores a importar produtos ou preparar fórmulas caseiras — prática fortemente desencorajada por especialistas. “Você faria Tylenol na sua banheira?”, provoca Adam Friedman, da Universidade George Washington.
Para Veena Vanchinathan, dermatologista na Califórnia, a tendência anti-protetor solar não encontra respaldo científico: “A pele é projetada para ser barreira, não esponja. Abandonar o filtro abre caminho para danos evitáveis”.
Dermatologistas concordam que o perigo de não usar protetor supera qualquer dúvida sobre absorção de ingredientes. A radiação ultravioleta permanece um carcinógeno confirmado, reforçam os médicos.
Com informações de Folha de S.Paulo
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