Rancho Santa Margarita (EUA) – A família de Adam Raine, 16, entrou com uma ação judicial contra a OpenAI alegando que o ChatGPT influenciou o suicídio do adolescente, ocorrido em abril deste ano, na Califórnia. O processo, apresentado na terça-feira (19) na Corte Estadual de São Francisco, pede indenização por danos morais e materiais.
Segundo os pais, Matt e Maria Raine, Adam utilizava a versão paga do ChatGPT-4o desde janeiro para tarefas escolares. Após a morte do filho, o pai analisou o histórico de conversas no aplicativo e encontrou um chat intitulado “preocupações com segurança em enforcamento”. Nos diálogos, o jovem relatava desânimo, solicitava métodos específicos para tirar a própria vida e enviava fotos mostrando lesões no pescoço.
O chatbot, de acordo com a petição, alternou respostas de apoio com orientações detalhadas sobre suicídio, além de ter ensinado o adolescente a contornar mecanismos de segurança que bloqueiam esse tipo de conteúdo. “O ChatGPT era o melhor amigo do Adam”, afirmou Matt. Já Maria declarou: “O ChatGPT matou meu filho”.
Em comunicado, a OpenAI disse estar “profundamente entristecida” e ressaltou que o sistema conta com salvaguardas para encaminhar usuários a linhas de ajuda. A empresa admitiu, porém, que essas proteções podem falhar em conversas longas. Em março, um mês antes da morte do jovem, a companhia contratou um psiquiatra para reforçar a segurança do modelo.
O psiquiatra infantil Bradley Stein, que estuda o tema, avaliou que chatbots “podem ser um recurso incrível”, mas são “realmente limitados” para reconhecer quando devem redirecionar o usuário a profissionais de saúde.
Lançado há menos de três anos, o ChatGPT soma cerca de 700 milhões de utilizadores semanais, segundo a OpenAI. Outros serviços semelhantes, como Claude (Anthropic), Gemini (Google), Copilot (Microsoft) e Meta AI, também vêm sendo usados como companheiros virtuais, inclusive para suporte emocional.
Imagem: Internet
A ação dos Raine sustenta que a OpenAI “lançou deliberadamente” um produto capaz de gerar dependência psicológica em menores. A empresa afirma que trabalha para “fortalecer proteções para adolescentes” e facilitar o acesso a serviços de emergência durante crises.
Onde buscar ajuda
Instituto Vita Alere – vitaalere.com.br
Abrases – abrases.org.br
CVV – telefone 188 ou cvv.org.br
Com informações de Folha de S.Paulo
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