A jornalista e roteirista de TV Mariliz Pereira Jorge afirma que o movimento de valorização de corpos diversos perdeu força e deu lugar, outra vez, à celebração de medidas cada vez menores. Segundo a colunista, o padrão que domina campanhas publicitárias, passarelas e redes sociais retornou ao manequim 34, acompanhado de medicamentos para emagrecer, cirurgias bariátricas e filtros digitais.
Mariliz destaca que influenciadoras que antes defendiam a saúde em todos os tamanhos agora aparecem com índice de massa corporal abaixo do recomendado. Ao mesmo tempo, mulheres historicamente magras estariam ainda mais esquálidas, lembrando a estética consumida nos anos 1990, época marcada pelo “heroin chic”.
No TikTok, a plataforma chegou a bloquear a hashtag #skinnytok após críticas de que o termo incentivava distúrbios alimentares. O veto, no entanto, não impediu a disseminação de imagens de corpos considerados abaixo do peso saudável, que continuam a receber elogios e curtidas.
Para a colunista, a popularização de fármacos como Mounjaro, o jejum intermitente e dietas restritivas substituíram práticas antigas, como o consumo excessivo de cigarro e café, mas mantiveram o foco na magreza extrema como estilo de vida. Ela observa que o discurso atual se apoia em conceitos de produtividade, bem-estar e longevidade.
O texto também menciona que o movimento body positive enfrenta acusações de hipocrisia, enquanto a discussão sobre gordofobia perde espaço e recursos publicitários. Nesse cenário, Mariliz sustenta que a pressão social agora recai sobre quem não se encaixa na nova régua de esqualidez.
Imagem: crise e acusações de hipocrisia via redir.folha.com.br
Na avaliação da jornalista, a sociedade segue oscilando entre extremos: antes, a obesidade era vista apenas como falha; agora, “falhar” seria não atingir a silhueta mínima. O resultado, diz ela, é a permanência de padrões considerados doentios, com pouco espaço para o equilíbrio.
Com informações de Folha de S.Paulo
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