Ciça anunciou Nepobaby, sua primeira EP, com lançamento marcado para 25 de setembro. O trabalho reúne sete faixas de boombap com estética underground e nasce de uma parceria com o Spotify Brasil — a rapper mineira participou do programa Amplifika e lançou o single “Foca em Mim” pelo Spotify Singles —, além de contar com distribuição da Symphonic Brasil. A capa reinterpreta Ready to Die (1994), álbum de estreia de Notorious B.I.G., colocando Ciça no lugar do bebê da arte original, uma escolha que já sinaliza a mistura entre reverência e autorretrato.
Ao desenhar Nepobaby, Ciça disse que a intenção foi firmar uma personalidade própria dentro do rap. Em comunicado, a artista explicou o propósito da EP e como ela quer que o projeto funcione como apresentação definitiva de sua voz.
“Me preocupei em fazer uma EP que fosse sobre mim para firmar minha personalidade de vez. Quero que as pessoas ouçam e entendam quem é a Ciça e quais vivências me construíram”
Filha dos rappers Bárbara Sweet e Slim Rimografia — nomes históricos do hip hop de Belo Horizonte —, Ciça usa o repertório para encarar o rótulo que a acompanha desde cedo. Duas faixas deixam essa conversa explícita: “Ser Ciça é Bom Demais” fala do peso das expectativas ligadas ao sobrenome, e “Boombap Não Vende” comenta como, aos 18 anos, ela já ocupa um lugar de destaque em uma cena muito marcada pela presença de artistas mais velhos.
“As pessoas falam sobre eu ter mãe e pai conhecidos na cena como se fosse algo ruim. Minha realidade não se compara com uma North West da vida, mas, se esperam mais de mim por causa do berço que eu tive, este trabalho mostra que sou capaz de entregar rap de qualidade quando eu quiser”
Um dos pontos mais simbólicos de Nepobaby é a faixa “Segura a Bronca pt. 2”, produzida por Coyote — um dos nomes mais importantes do rap mineiro —, que dá continuidade a “Segura a Bronca”, lançada por Slim Rimografia em 2003, antes do nascimento de Ciça. A escolha estabelece um diálogo geracional claro: a filha entra no universo construído pelo pai e amplia esse legado com a própria perspectiva e escrita.
A EP também transita por momentos mais íntimos. O encerramento fica por conta de “Não Fale de Amor Comigo”, que traz os vocais de Agnes Nunes sobre um refrão assinado por Ciça, e “Apenas Cecília” usa o nome de batismo como ponto de partida para um lado mais vulnerável da artista. Antes de Nepobaby, Ciça já havia chamado atenção por participações, entre elas a colaboração com Froid na faixa-título de Humor Negro, que marcou seu primeiro trabalho ao lado de um artista homem.
“A Ciça vem, há algum tempo, se superando, e este EP é mais uma prova disso”
Essa avaliação foi feita por Ian Bueno, diretor da Symphonic Brasil, em comunicado. Com Nepobaby, Ciça deixa claro que não precisa apagar o sobrenome para justificar seu lugar na cena, mas também não tem intenção de escondê-lo: transforma essa herança em matéria-prima para construir identidade, som e narrativa própria.
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