A participação de crianças em redes sociais e jogos on-line antes da idade recomendada pode gerar consequências emocionais e comportamentais importantes, alertam especialistas ouvidos pelo Núcleo Jornalismo.
Idade mínima e mediação dos pais
O psicólogo social Rodrigo Nejm, do Instituto Alana, lembra que plataformas como Instagram, TikTok, YouTube e WhatsApp têm utilização permitida apenas a partir dos 13 anos. Mesmo assim, muitos usuários bem mais novos acessam esses ambientes sem estarem prontos para lidar com possíveis ameaças.
Jogos que reúnem múltiplos espaços de interação, caso do Roblox, também exigem acompanhamento constante. Nejm defende que empresas invistam em ferramentas de controle parental tão robustas quanto suas estratégias de atração de público.
Para ele, o papel dos responsáveis é de “mediação ativa” — acompanhar a experiência digital da mesma forma que fariam em atividades presenciais, sem transformar o processo em vigilância total.
Sinais de alerta
A psicóloga Renata Yamasaki, pós-graduada em neuropsicologia pela Unifesp, aponta comportamentos que podem indicar exposição a situações de risco:
- Regressão, como voltar a urinar na cama ou chupar dedo;
- Sexualização precoce fora de contexto;
- Isolamento ou medo exagerado;
- Queda repentina no desempenho escolar;
- Mudança brusca no uso de dispositivos, incluindo tentativas de esconder a tela ou irritação com a supervisão.
Essas alterações, explica a especialista, podem estar ligadas à ativação prolongada do sistema de estresse, afetando sono, humor e cognição.
Nejm acrescenta outros indicativos: crianças que antes jogavam abertamente e passam a evitar a presença dos pais, atitudes erotizadas inesperadas ou recebimento de presentes virtuais em jogos, o que pode sugerir aliciamento ou chantagem.
Imagem: redir.folha.com.br
Prevenção e orientação
Além do acompanhamento diário, os especialistas sugerem que a educação sexual faça parte do repertório de proteção. O objetivo é ensinar a criança a reconhecer limites corporais e a interagir de forma segura, sempre de maneira adequada à faixa etária.
Casos de comportamentos persistentes ou mudanças abruptas devem abrir espaço para escuta profissional e, se necessário, encaminhamento aos órgãos de proteção da infância.
Também é recomendado que pais ou responsáveis monitorem o uso de cartões de crédito em compras dentro de jogos e definam, junto aos filhos, regras claras para o tempo de tela.
Com informações de Folha de S.Paulo
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