A famosa personagem Emmanuelle, conhecida no Brasil pelas madrugadas do Cine Band Privé, ganhou uma nova versão que já pode ser alugada nas plataformas Apple TV+ e Prime Video. O lançamento, dirigido pela cineasta francesa Audrey Diwan, vencedora do Leão de Ouro em Veneza por “O Acontecimento” (2021), passou discretamente pelos cinemas antes de chegar ao vídeo sob demanda.
Trama atualizada
Diferente da protagonista do longa de 1974 – imortalizada por Sylvia Kristel –, a nova Emmanuelle é vivida por Noémie Merlant (“Retrato de Uma Jovem em Chamas”). Na releitura, ela trabalha como inspetora de qualidade de uma rede de hotéis de luxo e viaja a Hong Kong em busca de redescobrir o próprio desejo.
O elenco ainda conta com Naomi Watts (gerente do hotel Margot), Will Sharpe (“The White Lotus”) como o enigmático engenheiro Kei Shinohara, além de Jamie Campbell Bower, Chacha Huang e Anthony Wong.
Visão feminista e menos erotismo
Audrey Diwan declarou não ter assistido ao filme original e afirmou que pretendeu colocar a subjetividade feminina no centro da narrativa. Elementos considerados problemáticos na obra de 1974, como abuso e objetificação, foram descartados. Em comparação, o conteúdo sexual foi bastante reduzido, apesar de ainda existir uma cena no avião que faz referência direta ao clássico.
Recepção nada calorosa
Mesmo com a proposta de atualização, a produção foi amplamente rejeitada pela crítica internacional:
- The Hollywood Reporter classificou o filme como “um embaraçoso exercício revisionista, bonito, mas sem propósito e sem humor”.
- Deadline considerou a tentativa corajosa, porém “impotentemente inútil”, e questionou as credenciais feministas da obra.
- Variety definiu o resultado como “um grande anticlímax, inerte e frequentemente frio”, criticando diálogos e a falta de erotismo.
No público, a recepção também não foi favorável: o IMDb registra nota 4,1/10, enquanto o Rotten Tomatoes mostra apenas 16% de aprovação entre os críticos.
Imagem: tangerina.uol.com.br
Fenômeno no Brasil
O longa de 1974, inspirado no romance de Emmanuelle Arsan, virou símbolo da revolução sexual e figurou entre os maiores sucessos do erotismo soft. No Brasil, a franquia se popularizou nas sessões do Cine Band Privé a partir de 1993, alcançando picos de audiência nos anos 2000. Em 2019, “Emmanuelle 2: A Antivirgem” marcou o retorno da faixa de filmes eróticos na emissora.
Agora, a nova versão tenta conquistar (ou reconquistar) o público direto do sofá, mas, ao que tudo indica, terá de superar o gosto amargo deixado pelas primeiras avaliações.
Com informações de Tangerina
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