Nunca haverá outra Dolly Parton, mas vários artistas carregam traços da sua influência no country. Reba McEntire, Garth Brooks e nomes mais jovens mantêm alcance popular e apelo emocional.
Para dizer o óbvio, nunca haverá outra Dolly Parton. Ninguém poderá ocupar o seu lugar, cultivar um público tão diverso de Nashville a Nairóbi, ou personificar melhor a história americana da pobreza à filantropia. Esse ponto de partida torna qualquer comparação inevitavelmente parcial, mas também interessante: quais artistas contemporâneos herdaram, mesmo que parcialmente, aquele brilho e essa capacidade de se conectar com públicos tão variados?
Alguns nomes clássicos já carregam esse DNA. Reba McEntire e Garth Brooks aparecem naturalmente quando se fala de artistas country com alcance amplo e carisma de estrela. Na cena mais recente, porém, Lainey Wilson tem chamado atenção pela mesma acessibilidade que Dolly sempre teve: é fácil para o público se identificar com ela, e em 2020 ela chegou a lançar a música “WWDD” (O que Dolly faria?), um aceno explícito à influência da veterana.
No episódio especial desta semana do podcast Nashville Now, dedicado a homenagear Dolly Parton, perguntamos: quem é a Dolly Parton da música country moderna? O nome de Wilson surgiu, assim como o de Luke Combs, que se dedica a unir o público musical da mesma forma que Parton fazia. Mas houve um nome que os fãs gritaram em resposta à nossa pergunta: Kacey Musgraves. Para ser justo, eles não estão errados. Musgraves reflete a mesma ousadia — e empatia — que Parton imprimia em suas composições, e tem uma abordagem estética que também abraça brilho e irreverência.
Outros fãs sugeriram a afilhada de Parton, Miley Cyrus, além de Sierra Ferrell, Taylor Swift, Miranda Lambert, Kelly Clarkson e Brandi Carlile. Brandi, aliás, encerrou seu show na Bridgestone Arena em Nashville neste fim de semana com um bis inteiramente dedicado a Dolly Parton, gesto que reforça como a influência de Dolly atravessa gerações e estilos dentro e fora do country.
A conversa no podcast destacou diferentes aspectos dessa herança: voz e performance, habilidade de compor canções que dialogam com a experiência do público, e uma presença pública que vai além da música, incluindo iniciativas filantrópicas e um posicionamento cultural. Alguns artistas se aproximam mais pelo carisma de palco; outros, pela escrita das canções; e há ainda os que incorporam um certo brilho visual que lembra os figurinos e o imaginário de Parton.
O podcast é apresentado pelo editor adjunto e chefe da seção de música country, Joseph Hudak, e convida ouvintes a refletir sobre tradições e mudanças no gênero. Novos episódios são lançados todas as quartas-feiras e apresentam entrevistas com artistas e personalidades como Vince Gill, Lainey Wilson, Shaboozey, Hardy, Charley Crockett, Tedeschi Trucks Band, Kings of Leon, Dan Auerbach (do The Black Keys), The Black Crowes, Carly Pearce, Amy Grant, Luke Grimes, Brandon Lake, Breland, Bryan Andrews, Noeline Hofmann, Adam Mac, Devon Gilfillian, Gavin Adcock, Amanda Shires, Shooter Jennings, Margo Price, Michaela Anne, Ink, Ne-Yo, Jay Buchanan (do Rival Sons), Halestorm, Dusty Slay, Lukas Nelson, Ashley Monroe, Ketch Secor (do Old Crow Medicine Show), Clever, Tyler White (do reality show Amor no Espectro EUA), o especialista em Willie Nelson John Spong e os autores Marissa R. Moss, Josh Crutchmer, Mark Gray e Jonathan Bernstein.
No fim das contas, a matéria reafirma que Dolly Parton é insubstituível, mas destaca que há artistas contemporâneos que espelham aspectos da sua genialidade — seja na empatia das letras, no alcance popular ou na capacidade de reinvenção. A discussão sobre quem seria a equivalência moderna é menos uma resposta definitiva e mais um convite para ouvir, comparar e celebrar a diversidade do country atual.
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