Salvador (BA) — Morreu na última sexta-feira, 15 de agosto de 2025, o guitarrista, arranjador e produtor musical baiano Perinho Albuquerque. Ele tinha 79 anos e estava internado na capital baiana tratando complicações de um AVC, mas não resistiu a um infarto.
Nascido Péricles Albuquerque em 25 de abril de 1946, em Salvador, Perinho foi saudado por Caetano Veloso nas redes sociais como “grande músico brasileiro” e “companheiro e guia musical”. Apesar da pouca presença em fotos e vídeos na internet, o artista é lembrado por sua contribuição essencial à música popular brasileira na década de 1970.
Trabalho decisivo na discografia de grandes nomes
Perinho atuou como guitarrista, arranjador e produtor de álbuns de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Chico Buarque, Gal Costa, Gilberto Gil e Luiz Melodia. Entre os destaques de sua carreira estão:
- Arranjos para as faixas Dois de fevereiro, O vento e São Salvador no disco Gal canta Caymmi (1976);
- Arranjos de Drama – Anjo Exterminado (1972), que consolidou Maria Bethânia após o espetáculo Rosa dos Ventos – O Show Encantado (1971);
- Produção de Álibi (1978) e Mel (1979), ambos grandes sucessos comerciais de Bethânia;
- Direção musical de Pérola Negra (1973), primeiro álbum de Luiz Melodia, assinando nove dos dez arranjos;
- Direção de produção de Água Viva (1978) e participação em Caras & Bocas (1977), discos de Gal Costa;
- Presença na ficha técnica de Sinal Fechado (1974), de Chico Buarque.
Início autodidata e afastamento dos palcos
Sem formação acadêmica em música, Perinho começou a tocar violão elétrico aos 16 anos em bailes de Salvador, integrando o grupo Carlito e Seu Conjunto. Tornou-se arranjador por “intuição e observação”, segundo relatos. Irmão do baixista Moacir Albuquerque (1945-2000), ele conheceu Caetano Veloso em 1964 e, desde então, deixou marcas em gravações importantes, como em Qualquer Coisa (1975).
Na década de 1980, afastou-se da indústria fonográfica para dedicar-se à construção de barcos e lanchas na Bahia, mantendo a discrição que acompanhou toda a sua trajetória.
Imagem: Mauro Ferreira via g1.globo.com
Com a morte de Perinho Albuquerque, a música brasileira perde um de seus arquitetos sonoros mais influentes, cuja obra permanece como referência dos arranjos e da produção musical dos anos 1970.
Com informações de g1.globo.com
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