O veterano ator apresenta 'Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience', mistura de blues tradicional com arranjos sinfônicos. Cofundador do Ground Zero, ele revela ambições para novos papéis de ação.
Morgan Freeman, um ícone do cinema, tem se destacado não apenas na telona, mas também no mundo da música. Após 50 anos interpretando papéis memoráveis, como o presidente dos Estados Unidos e até mesmo Deus, ele se aventurou em um novo projeto musical. Desde 2001, é cofundador do Ground Zero Blues Club em Clarksdale, Mississippi, um espaço criado para oferecer aos visitantes um lugar para ouvir blues, especialmente após perceber que a famosa encruzilhada de Robert Johnson carecia de um espaço para isso.
O seu mais recente lançamento, Morgan Freeman’s Symphonic Blues Experience, promete encantar os amantes do gênero. O álbum traz arranjos orquestrais da Chineke! Orchestra, de Londres, e apresenta novas versões de clássicos do blues com artistas renomados como Taj Mahal, Keb’ Mo’ e Shemekia Copeland. As músicas vão de “Death Letter Blues” a “Traveling Riverside Blues”, com toques de história narrados pelo próprio Freeman, cuja renda será revertida para a Ground Zero Arts Foundation, a vertente beneficente do clube.
Freeman, que está com 89 anos, conversou sobre sua trajetória musical em uma entrevista, onde também comentou sobre sua infância no Mississippi. Ele relembrou momentos marcantes, como ouvir música na varanda da avó, mas destacou que seu interesse pela música não era imediato. “Era apenas música”, comentou ele, referindo-se ao blues que ouvia quando criança.
A vida de Freeman o levou a Chicago nos anos 40, mas ele não teve contato com o blues da cidade. “A Zona Sul de Chicago era uma selva. Você precisava atravessar aquilo com muito cuidado”, disse ele, refletindo sobre as dificuldades da época.
No ensino médio, Freeman participou de grupos musicais, cantando e tocando saxofone, mas um problema de saúde o afastou dos instrumentos de sopro. Ele também relembrou que Frank Darabont, o diretor de Um Sonho de Liberdade, queria que ele tocasse gaita no final do filme, mas ele recusou, um momento que ele considera uma decisão de “sim, patrão”.
O interesse de Freeman pelo blues ressurgiu quando ele percebeu a falta de locais para ouvir o gênero. “Não havia resposta. Não sabíamos. Não havia lugar nenhum”, afirmou, o que o levou a criar o Ground Zero. Eric Meier, coproprietário do clube, comentou sobre a ideia de juntar hip-hop e música sinfônica, que inspirou a criação do álbum.
Freeman também falou sobre seu gosto musical, que vai além do blues. Ele é fã de artistas como Frank Sinatra e Al Green, mas ressaltou que o projeto surgiu de uma necessidade e não de uma paixão específica pelo blues. Ele citou Kingfish, um jovem artista do gênero, e a importância da reconexão com as raízes do blues, algo que o projeto busca resgatar.




