Antes da estreia comercial em 15 de julho, o cineasta cearense apresentou o longa no Cine Odeon durante a 28ª edição do Festival do Rio. No palco, Aïnouz recordou estar ali há 24 anos, na estreia do seu primeiro filme.
Depois de se arriscar com um thriller noir em Motel Destino (2024), Karim Aïnouz lança o seu novo filme, Rosebush Pruning, no próximo dia 15. Antes da estreia comercial, o cineasta cearense passou pelo palco do Cine Odeon, no Centro do Rio de Janeiro, para a première nacional do longa durante a 28ª edição do Festival do Rio.
Na fala no palco, Aïnouz recordou uma relação de longa data com o espaço e com o público do festival, resgatando uma memória pessoal vinculada ao início de sua carreira. O cineasta mencionou que esteve no mesmo palco 24 anos atrás, quando celebrou a estreia do seu primeiro filme, Madame Satã, e citou a presença de pessoas que marcaram aquele período.
“Eu estou muito feliz de por estar aqui no Cine Odeon, no Festival do Rio, para celebrar a estreia no Brasil do meu novo filme, Rosebush Pruning, que, em bom português, chama A Poda das Roseiras”
“Eu estava aqui, neste palco, há exatos 24 anos para celebrar a estreia do meu primeiro filme, que chama Madame Satã, acompanhado pela presença, entre outras, da carinhosa e valente Ilda Santiago, diretora desse festival e incansável colaboradora do meu trabalho.”
Definido pelo próprio cineasta como uma “parábola absurda, caótica e bem-humorada”, Rosebush Pruning acompanha quatro irmãos norte-americanos que vivem isolados em uma mansão com o pai cego, cercados de luxo e relações de dependência que fogem do normal. O elenco reúne nomes de Hollywood como Callum Turner, Jamie Bell, Elle Fanning, Riley Keough e Lukas Gage.
Segundo Aïnouz, o filme tem inspiração em “monstros” presentes no cotidiano e na vida política, e traça um paralelo com o momento eleitoral do país. A estreia no festival ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições: o texto original registra que o primeiro turno aconteceu no dia seguinte à estreia.
“Há exatos 24 anos também, no ano de 2002, eu lembro que a palavra de ordem era esperança, pois acabávamos de eleger um operário nordestino como presidente do Brasil. Um Brasil renovado se anuncia, e que Brasil!”
“Hoje, passado esse tempo, estamos às véspera daquela que talvez seja a eleição mais importante da história desse país. Uma eleição em que teremos que escolher entre a esperança ou a barbárie, entre o amor e a tortura”
“[Rosebush Pruning] conta a história de uma família que vive sob o jugo de um pai monstruoso e de como essa família se liberta desse monstro. Quando, lá atrás, imaginei esse filme, me inspirei nos monstros que nos cercam, que vêm nos cercando há anos, por todos os lados, em muitos países do mundo, nas manchetes de jornais, na política e no nosso cotidiano. Não preciso citar nomes aqui, não é?”
Durante a apresentação, a reação da plateia foi marcada por aplausos e manifestações de apoio ao presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, conforme registrado no evento. Aïnouz também expressou um desejo sobre o desfecho eleitoral e sobre a recepção do público ao filme.
“Eu sonho com uma história em que a gente possa se ver livre desses monstros. Eu fico torcendo para que amanhã seja um dia de esperança nesse país e que a gente consiga espantar para bem longe esses monstros que estão à nossa espreita por aí”
“Mas o que eu espero, antes de tudo, é que vocês se divirtam, riam e se assombrem porque, como dizia um conterrâneo meu, cinema é a maior diversão”
Rosebush Pruning será exibido comercialmente a partir do próximo dia 15, e o filme chega ao circuito com expectativas por conta do elenco internacional e da assinatura autoral de Aïnouz, que volta a explorar territórios de tom sombrio e satírico após Motel Destino (2024).


