Aos 92 anos, a velocista italiana Emma Maria Mazzenga tornou-se objeto de pesquisa de universidades da Itália e dos Estados Unidos depois que exames revelaram mitocôndrias e fibras musculares semelhantes às de pessoas com pouco mais de 20 anos.
Recordes e falta de rivais
Mazzenga, que mede 1,55 m e vive em Pádua, acumula quatro recordes mundiais na faixa etária acima dos 90 anos. Em 2024, baixou o tempo dos 200 m para 51,47 s e, um mês depois, reduziu a própria marca em mais um segundo, correndo sozinha nas duas ocasiões. “Na Itália, só existe eu na categoria; no Mundial, era eu contra uma americana”, contou por telefone.
Estudo detalha fibras musculares
O grupo coordenado pelo fisiologista Simone Porcelli, da Universidade de Pavia, coletou uma amostra do quadríceps de Mazzenga e enviou o material para o laboratório do professor Chris Sundberg na Universidade Marquette. A primeira autora do trabalho, a pesquisadora Marta Colosio, aponta que não há registro de outra nãoagenária com desempenho comparável.
Os testes mostraram que:
- as fibras de contração rápida (velocidade) lembram as de uma pessoa saudável de 70 anos;
- as fibras de contração lenta (resistência) e o fluxo sanguíneo se assemelham aos de alguém de 20 anos;
- o condicionamento cardiorrespiratório equivale ao de um adulto por volta dos 50.
Segundo Sundberg, a comunicação entre cérebro, nervos e músculos permanece “muito mais íntegra” do que o comum para a idade. A equipe prepara três artigos com os resultados e segue analisando novas amostras.
Rotina de treinos
Ex-professora de ciências, Mazzenga correu pela primeira vez na Universidade de Pádua aos 19 anos, interrompeu a carreira aos 25 para cuidar da mãe, casou-se, teve dois filhos e só voltou às pistas depois de um hiato de 25 anos. Hoje, treina duas a três vezes por semana no estádio Colbachini ou às margens de um rio na cidade natal, além de caminhar nos dias de descanso. “Nunca passo um dia inteiro dentro de casa”, disse.
Os treinos duram cerca de uma hora, com aquecimento leve, tiros curtos e repetições da distância de competição. Durante a pandemia, corria dentro de casa ou dava voltas no quarteirão à noite.
Imagem: Internet
Próximos objetivos
A atleta se prepara para disputar 100 m e 200 m em setembro, em Catânia. Depois da prova, retornará ao laboratório de Pavia para novos testes e, em novembro, iniciará a temporada indoor. “Planejo mês a mês”, afirma.
Dicas para envelhecer em movimento
Mazzenga recomenda consultar um médico antes de começar a correr, respeitar limites e manter consistência. O pesquisador Bas Van Hooren, da Universidade de Maastricht, reforça que a atividade física elevada ameniza muitos efeitos do envelhecimento e que “nunca é tarde para começar”. Já Luigi Ferrucci, do Instituto Nacional sobre Envelhecimento (EUA), destaca a necessidade de cuidados integrais — exercício, nutrição e estimulação cognitiva.
Mazzenga segue dieta simples, com carne, peixe, ovos, pequenas porções de massa ou arroz, e evita comer nas três horas que antecedem os treinos.
Com informações de Folha de S.Paulo
Siga a Casa das Fofocas e receba as novidades de famosos, TV e cinema em primeira mão.




