A procura por programas de intercâmbio por pessoas acima dos 50 anos vem crescendo e mostra que aprender um idioma pode ser apenas um dos objetivos dessa experiência. Para quem já tem carreira consolidada ou está aposentado, viajar para estudar torna-se oportunidade de criar novos vínculos, vivenciar outra cultura e estimular a saúde mental.
“Aprender uma língua traz benefícios que vão muito além do lado profissional. O intercâmbio impacta a saúde mental e social”, afirma Denis Buzzi Boehm, diretor nacional da EF Intercâmbios.
Novos amigos e rotina fora da sala de aula
A advogada Yara Maria Marques Soares, 75, viaja sozinha desde 2002. Em 2024, ela passou quatro semanas em Roma para aprimorar o italiano que já praticava em um aplicativo. No período, fez amizades com colegas da França, Espanha e Argentina. “Todo mundo fica íntimo. Eu digo que aula de fazer pasta é um recreio no play”, brinca. Gostou tanto que voltou neste ano para mais duas semanas.
Também em Roma, Eliane Pioli Bassetti, 73, permaneceu dois meses estudando idioma e mitologia greco-romana. Viúva desde 2022 e com as filhas morando no exterior, ela encontrou no intercâmbio um alento. “Desde o primeiro dia fiz amigos. Tivemos happy hour com pintura, degustação de vinhos e até me apaixonei em Roma”, lembra.
Boehm destaca as atividades extracurriculares como parte essencial do processo. “É nelas que ocorre a verdadeira imersão cultural, a prática do idioma e a construção de laços que podem durar a vida toda.”
Quebra de estereótipos e benefícios emocionais
Segundo a psicóloga Larissa Fonseca, entre pessoas mais velhas há menos preocupação com julgamentos externos, o que facilita viajar sozinhas. “Convivência em grupo, troca de experiências e imersão em novos ambientes devolvem vitalidade que pode se perder com a idade”, afirma. Ela recomenda escolher destinos ligados a interesses pessoais e preparar-se física e psicologicamente para lidar com inseguranças naturais do começo.
Imagem: redir.folha.com.br
Números em alta
Dados da Belta (Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio) mostram que, em 2024, viajantes com mais de 50 anos representaram 7,5% do total de intercambistas brasileiros, a sétima faixa etária mais frequente nos programas internacionais.
Para atender esse público, agências avaliam objetivos, receios e preferências de cada viajante, indicando duração, país e tipo de hospedagem adequados. “Nosso papel é orientar antes e durante toda a jornada”, diz Boehm.
Do aprendizado do idioma à construção de novas amizades, o intercâmbio após os 50 anos confirma que nunca é tarde para descobrir o mundo.
Com informações de Folha de S.Paulo
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