Confirmada como autora de 'I Will Always Love You', Parton gravou a versão original em 1973 e viu a canção virar fenômeno mundial. A notícia de sua morte, aos 80 anos, foi anunciada nesta terça-feira, 25.
Dolly Parton foi confirmada como a criadora de uma das baladas mais emblemáticas da cultura pop: “I Will Always Love You”. A notícia da sua morte foi anunciada nesta terça-feira, 25, aos 80 anos, e o legado da canção voltou a ser lembrado por sua trajetória singular — desde a origem country até se tornar um fenômeno global.
A própria Parton escreveu e gravou a versão original da música em 1973, liberando-a ao público no ano seguinte. Na época, a canção alcançou o topo da parada americana Hot Country Songs, consolidando-se como um marco em sua carreira solo. A composição nasceu como uma despedida ao parceiro de negócios e mentor Porter Wagoner: era o ato simbólico de quem decidia seguir carreira inteiramente por conta própria após sete anos de parceria.
A maior onda de popularidade veio em 1992, quando Whitney Houston regravou a faixa para a trilha sonora do filme O Guarda-Costas. A versão, com arranjo pop/R&B e andamento desacelerado, transcendeu o universo country e se transformou em um hit mundial: nos Estados Unidos, permaneceu no primeiro lugar do ranking geral por 14 semanas e, globalmente, atingiu o topo das paradas em 34 países. O single vendeu cerca de 24 milhões de unidades pelo mundo, tornando-se um dos singles mais vendidos da história.
Ao longo dos anos, muitas pessoas não souberam que a versão de Whitney era um cover, tant o impacto que teve. A ideia de incluir a canção na trilha veio após quatro outras músicas terem sido consideradas para o momento decisivo do filme — entre elas, composições autorais e covers de diferentes gêneros — até que o supervisor musical Maureen Crowe sugeriu a faixa de Dolly Parton.
A trajetória da canção também teve episódios curiosos: antes de Whitney e de outras regravações, Patti LaBelle chegou a receber a proposta de interpretá-la, mas sempre adiou a gravação e acabou vendo a oportunidade escapar. Em 1974, outro nome de peso demonstrou interesse: Elvis Presley. Parton, no entanto, recusou ceder metade dos direitos editoriais da canção, decisão que ela mesma recordou como difícil e emocional.
“Eu disse: ‘sinto muito mesmo’, e chorei a noite toda. Foi algo terrível. Sabe, é tipo: ‘Meu Deus… Elvis Presley’. E outras pessoas diziam: ‘Você é louca. É o Elvis Presley’. Mas eu disse: ‘Não posso fazer isso. Algo no meu coração diz para não fazer’. Simplesmente não fiz… Ele teria arrasado na interpretação. Mas, enfim, ele não gravou. Depois, quando a versão da Whitney foi lançada, ganhei dinheiro suficiente para comprar Graceland [a mansão de Elvis].”
O alcance da canção já motivou inúmeras regravações por artistas de perfis variados: nomes como Linda Ronstadt, John Doe, Amber Riley, Kenny Rogers, LeAnn Rimes, Christina Grimmie e Sarah Washington entraram para a lista de intérpretes que revisitaram o clássico em suas carreiras. Cada versão contribuiu para manter a composição viva em diferentes contextos musicais.
Mais do que um hit, “I Will Always Love You” representou para Dolly Parton um ponto de virada artístico e financeiro — um exemplo de como uma composição pessoal pode atravessar gêneros, chegar a novas plateias e, décadas depois, continuar sendo lembrada como um dos grandes hinos da música popular.
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