Um ensaio clínico da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA) concluiu que a origem da proteína — vegetal ou animal — não altera o ganho de massa muscular nem a força em adultos jovens fisicamente ativos.
O trabalho, divulgado na revista científica Medicine & Science in Sports & Exercise, contou com 40 participantes saudáveis, homens e mulheres entre 25 e 40 anos. Todos passaram primeiro por sete dias de alimentação padronizada para igualar o estado nutricional de base.
Como o estudo foi organizado
Após a fase de ajuste, os voluntários foram distribuídos aleatoriamente em dois grandes grupos:
• Dieta vegana: refeições planejadas para oferecer proteínas completas exclusivamente de fontes vegetais.
• Dieta onívora: cerca de 70% das proteínas vieram de carne bovina, suína, frango, laticínios e ovos.
Cada grupo foi novamente subdividido de acordo com a forma de ingestão proteica:
• Três refeições ao dia, com quantidades semelhantes de proteína.
• Cinco refeições diárias, concentrando maior aporte no fim do dia.
Treino e monitoramento
Durante o acompanhamento, os participantes realizaram sessões de fortalecimento muscular em laboratório a cada três dias. Fora dali, usaram acelerômetros para registrar os níveis de atividade física. Biópsias de um músculo da perna foram coletadas no início e no fim do experimento para medir a síntese proteica muscular.
Imagem: redir.folha.com.br
Resultados principais
• Sem diferenças significativas: taxas de síntese proteica, ganho de massa magra e força foram equivalentes nos grupos vegano e onívoro.
• Distribuição da proteína: oferecer o nutriente em três ou cinco refeições não alterou os resultados.
• Fator decisivo: quantidade diária adequada de proteína de alta qualidade foi o que fez diferença.
Percepção de bem-estar
Questionários de autoavaliação mostraram que os onívoros relataram maior prazer nas refeições, enquanto os veganos disseram sentir mais energia e menos cansaço.
O que dizem os especialistas
Para a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia, o estudo reforça que uma dieta exclusivamente vegetal bem planejada pode ser tão eficaz quanto a onívora na construção muscular. A nutricionista Serena del Favero, do Hospital Israelita Albert Einstein, lembra que carboidratos, gorduras saudáveis, vitaminas e minerais também são essenciais para sustentar o processo anabólico.
Os autores e especialistas observam ainda que fatores como sono adequado, controle do estresse, hidratação e exercícios de resistência continuam indispensáveis para otimizar o ganho e a manutenção da massa muscular, especialmente em fases da vida com maior risco de perda de massa magra, como a terceira idade.
Com informações de Folha de S.Paulo
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