A nova versão de “Corra que a Polícia Vem Aí!” estreou nos cinemas brasileiros na última semana com um objetivo claro: respeitar o texto original, mas falar diretamente com o público local. Estrelado por Pamela Anderson e Liam Neeson, o filme chega ao país com dublagem assinada pelo diretor Wendel Bezerra e roteiro adaptado pelo humorista Antônio Tabet.
Na versão nacional, Armando Tiraboscho dá voz a Frank (papel de Neeson) e Angelica Santos dubla Beth (interpretada por Anderson). Segundo a Paramount Pictures Brasil, a equipe trabalhou para entregar uma experiência de “localização cultural”, substituindo referências norte-americanas por piadas que façam sentido aos brasileiros sem perder o tom ácido da comédia dos anos 1990.
Referências futebolísticas e trocadilhos
Cerca de 30% a 40% das piadas precisaram ser recriadas, explica Tabet. Exemplo disso é uma cena em que uma referência a times de futebol americano foi trocada por uma alusão ao “clube sem mundial”, apontando indiretamente para o Palmeiras. A mudança, diz ele, aconteceu sem citar nomes oficiais para evitar problemas de marca, mas deixou clara a intenção para quem entende a rivalidade.
Tabet defende que o público que prefere assistir dublado não deve receber um conteúdo filtrado. “O filme original tem humor pesado e a dublagem precisa respeitar isso”, afirmou. Para o roteirista, suavizar piadas por achar que o espectador não compreenderá o contexto é “preconceito”.
Sincronia, ritmo e liberdade criativa
Wendel Bezerra reforça que a principal meta foi garantir sincronia labial sem comprometer a graça. “Tem filme dublado e tem filme falado. Queríamos que o público sentisse que aquelas piadas foram escritas para ele”, comentou.
Na pré-estreia em São Paulo, o resultado agradou: muitas falas se perderam no som das gargalhadas, relatou o diretor. A Paramount, segundo Bezerra, deu carta branca para que o humor “não fosse pasteurizado” e continuasse politicamente incorreto quando necessário, mas sem ultrapassar a linha do ofensivo.
Imagem: Divulgação via uol.com.br
A estratégia de marketing destaca também o fator nostalgia. Luciana Falcão, diretora de marketing da distribuidora, lembra que o título original marcou gerações nas reprises de TV aberta nos anos 1990. “Além de trabalhar com memória afetiva, era preciso atualizar as piadas para o público de hoje”, explicou.
A combinação de roteiro adaptado, direção de dublagem e liberdade criativa busca oferecer ao espectador brasileiro a mesma experiência de humor irreverente que consagrou a franquia — agora com trocadilhos, gírias e referências que só quem vive no Brasil entende.
Com informações de UOL Splash
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