Trazer fantasias sexuais para o centro da conversa pode estreitar os laços e aumentar a confiança entre parceiros, segundo o psicólogo norte-americano Joshua Coleman, em artigo originalmente publicado no The Washington Post.
Coleman respondeu a um leitor que, após assistir ao filme “Babygirl”, perguntou à esposa sobre fantasias eróticas. A mulher revelou ter o desejo de transar com vários homens ao mesmo tempo, mas se mostrou envergonhada. O marido, por sua vez, passou a questionar se ela havia mascarado excitação durante todos os anos de relacionamento.
Fantasia como espaço seguro
Para o psicólogo, fantasias são territórios onde desejos proibidos, medos e inseguranças se misturam sem necessariamente exigir realização prática. Ele lembra que muitas pessoas jamais querem levar esses roteiros imaginários para a vida real, mas ainda assim se excitam com eles.
Principais temas nas fantasias femininas
Pesquisas recentes das sociólogas Alicia Walker e Arielle Kuperberg, autoras do livro “Bound by BDSM: Unexpected Lessons in Building a Happier Life”, indicam quatro grandes eixos nas fantasias de mulheres: romance, poder, tabu e curiosidade. Walker lembra que o sucesso editorial de “Cinquenta Tons de Cinza”, com mais de 150 milhões de exemplares vendidos, exemplifica esse interesse. “Não se trata de violência, mas de ser desejada tão intensamente que se perde o controle”, explica.
Do controle à libertação
Coleman observa que, para quem lidera em todas as áreas da vida, imaginar-se dominado pode ser libertador. Ele cita a série “Billions”, na qual o personagem vivido por Paul Giamatti recorre a uma dominatrix em busca de alívio do estresse de seu cargo.
Quando a fantasia assusta
Sentir-se ameaçado pela fantasia do outro é comum, diz o especialista. O conteúdo imaginado pode parecer uma crítica indireta ao parceiro, mas na maioria das vezes reflete necessidades internas de quem fantasia. “Um grande relacionamento não resolve todos os conflitos profundos sobre prazer”, afirma.
Como reagir
A recomendação principal é encarar a revelação como sinal de confiança, não de rejeição. Segundo Coleman, examinar a própria reação antes de julgar ajuda a manter o diálogo aberto. Caso a conversa se torne difícil, procurar um terapeuta sexual pode ser útil.
Imagem: Internet
Explorando sem sair da imaginação
Interpretar papéis, ler narrativas eróticas ou simplesmente falar sobre o tema são maneiras de manter a fantasia viva sem ultrapassar limites combinados. Para o psicólogo, conhecer melhor o universo erótico do parceiro pode, por si só, ser altamente estimulante.
Ele reforça que a sexualidade tem camadas distintas — atração, comportamento e imaginação — que se influenciam, mas não são sinônimos. Um parceiro pode ser extremamente comprometido e ainda nutrir fantasias que não refletirem a realidade vivida a dois.
No fim das contas, acolher a sinceridade do outro tende a abrir caminhos para uma conexão mais profunda, conclui Coleman.
Com informações de Folha de S.Paulo
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