Beber de três a quatro xícaras de café filtrado por dia — o equivalente a 450 ml a 600 ml — está associado a menor risco de morte por todas as causas, além de reduzir a probabilidade de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. A conclusão faz parte de uma revisão abrangente publicada em 2017 no British Medical Journal (BMJ), que compilou resultados de diversas meta-análises sobre a bebida.
Por que o café saiu da lista de vilões
Durante décadas, médicos chegaram a recomendar que pacientes, principalmente cardíacos, evitassem a bebida. Segundo o cardiologista Bruno Mahler Mioto, pesquisador da Unidade Café e Coração do Instituto do Coração (InCor), esse alerta vinha de estudos que utilizavam doses altas de cafeína em cápsulas, o que elevava pressão arterial e frequência cardíaca.
Hoje se sabe que o café contém muito mais do que cafeína. “O grão verde é ainda mais rico em antioxidantes do que em cafeína”, explica Mioto. Essas substâncias neutralizam radicais livres e contribuem para os efeitos positivos observados em pesquisas.
Quanto é seguro consumir
Os maiores benefícios aparecem com ingestão diária e habitual, pois o organismo desenvolve tolerância aos efeitos estimulantes. Já os riscos começam a aumentar apenas a partir de 1,2 l a 1,5 l de café filtrado por dia.
Quem deve moderar ou evitar
- Gestantes: risco de restrição de crescimento do feto, parto prematuro e perda gestacional.
- Mulheres na menopausa ou com osteoporose: possível interferência na absorção de cálcio, aumentando chances de fraturas.
- Pessoas com problemas gastrointestinais: a cafeína estimula produção de ácido gástrico, podendo causar azia e queimação.
- Quadros de ansiedade: a substância pode agravar sintomas em quem não está acostumado.
Método de preparo faz diferença
A maioria dos estudos considera o café filtrado. O coador retém compostos como cafestol e kahweol, capazes de elevar o colesterol. O espresso ainda é pouco investigado, mas é ingerido em volume menor e mantém boa quantidade de antioxidantes.
Outro ponto é a torra: grãos excessivamente torrados perdem parte dos antioxidantes e concentram mais cafeína.
Outras notas de saúde e bem-estar
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Imagem: redir.folha.com.br
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Novo tratamento para câncer no cérebro: a Anvisa aprovou o vorasidenibe, medicamento oral que bloqueia crescimento de células tumorais. Até então, as opções se restringiam a cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
De acordo com Mioto, as evidências atuais não sustentam a proibição do consumo de café, nem mesmo para pacientes cardíacos. A recomendação geral é incluir a bebida de forma moderada e diária dentro de uma alimentação equilibrada.
Com informações de Folha de S.Paulo
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