Produtos de inteligência artificial que simulam conversas vêm sendo apontados como aliados no acompanhamento de pessoas com comprometimento cognitivo leve e demência. Entre eles está a Sunny, criada pela startup norte-americana NewDays, que já vem sendo testada por usuários como o norte-americano Frank Poulsen, 72, diagnosticado em 2019.
Poulsen relata que, ao longo dos meses, a interação com a assistente virtual passou de formal a acolhedora, sem demonstrações de impaciência quando ele repete histórias — característica destacada também por sua esposa e cuidadora, Cheryl Poulsen.
Como funciona a Sunny
O serviço da NewDays custa US$ 99 por mês (aproximadamente R$ 535) e é indicado para quem está nos estágios leve ou inicial da doença. Além de estimular lembranças e propor exercícios de memória, a plataforma dispõe de uma equipe interna de clínicos — contratados à parte — para acompanhar o progresso do paciente e fornecer retorno ao sistema.
Segundo Babak Parviz, cofundador e CEO da NewDays, a ideia surgiu após o diagnóstico de Alzheimer de seu pai. Ele afirma que os diálogos estruturados por humanos mostraram bons resultados em mais de 500 estudos clínicos, citando o ensaio I-CONECT como exemplo. A empresa, porém, ainda não divulgou dados que confirmem eficácia semelhante para sua aplicação de IA.
Potencial e ressalvas
Luke Stoeckel, do Instituto Nacional sobre Envelhecimento dos EUA, vê na tecnologia um avanço incomum pela velocidade e volume de investimentos. Para Julian De Freitas, da Harvard Business School, há evidências de que conversas com chatbots empáticos reduzem a solidão em adultos saudáveis, mas ainda faltam pesquisas específicas sobre impactos cognitivos em pessoas com demência.
Joe Verghese, da Escola de Medicina Renaissance da Universidade Stony Brook, relata casos informais em que o humor de pacientes melhorou com o uso de assistentes de IA, embora ele não espere ganhos substanciais de cognição.
Imagem: Internet
Outras soluções no mercado
A CloudMind desenvolveu o BrightPath, testado em residenciais especializados. A ferramenta, acessada por celular ou tablet, conversa sobre memórias e hobbies, produz relatórios diários para familiares e alerta a equipe de enfermagem quando identifica frases como “Estou com sede” ou “Eu caí”.
Desafios éticos e de segurança
Especialistas apontam riscos de privacidade, uso excessivo como substituto do contato humano e possíveis “alucinações” dos modelos de linguagem — respostas incorretas ou perturbadoras. NewDays e CloudMind dizem ter implantado barreiras de segurança, mas não detalham os mecanismos.
“Precisamos lembrar que se trata de uma população vulnerável e garantir proteções adicionais”, reforça De Freitas.
Com informações de Folha de S.Paulo
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