Prometidos como elixires para pele radiante, energia extra e “desintoxicação”, suplementos de clorofila e colágeno viraram queridinhos em lojas de produtos naturais, prateleiras de cosméticos e vídeos do TikTok. A popularidade, impulsionada por celebridades como Gwyneth Paltrow e Kourtney Kardashian-Barker, contrasta com a escassez de provas científicas sólidas para boa parte dos benefícios divulgados.
Clorofila: o que se sabe até agora
O pigmento verde presente em couve, espinafre e outras hortaliças é vendido na forma de águas saborizadas, tinturas e cápsulas. Entre as promessas mais repetidas estão “oxigenar” o sangue, reduzir odores corporais e favorecer a desintoxicação.
Segundo Dan Baumgardt, professor da Escola de Fisiologia, Farmacologia e Neurociências da Universidade de Bristol (Reino Unido), a ideia de que a clorofila possa gerar oxigênio dentro do corpo humano não procede: a molécula depende da luz solar para realizar fotossíntese, condição ausente na corrente sanguínea.
Estudos antigos indicam leve redução de odor de fezes e flatulência com o uso de clorofilina (versão semissintética e solúvel da clorofila), mas as evidências para halitose, controle de peso ou ação antioxidante permanecem limitadas. Pesquisas sobre curativos à base de clorofila, entretanto, mostram algum potencial para acelerar a cicatrização e minimizar odores de feridas.
Colágeno: proteína popular, resultados mistos
Presente em pele, ossos e cartilagens, o colágeno ganhou status de “santo graal” da beleza. Estudos apontam que a suplementação oral pode melhorar elasticidade da pele, aliviar desconfortos articulares e contribuir para densidade óssea. Não há, contudo, comprovação robusta de efeitos na perda de peso ou em doenças cardiovasculares e autoimunes.
Produtos tópicos, como cremes ricos em colágeno, enfrentam ceticismo maior: as moléculas são grandes demais para atravessar a barreira cutânea, oferecendo, no máximo, hidratação superficial e efeito temporário de preenchimento.
Imagem: redir.folha.com.br
Alimentação continua no centro
Para estimular a produção natural de colágeno, especialistas recomendam ingestão adequada de proteínas — presentes em frango, peixe, ovos e caldo de ossos — além de nutrientes-chave como vitamina C, cobre e zinco. Já para quem busca os supostos ganhos da clorofila, aumentar a porção diária de folhas verdes garante fibras, ferro e betacaroteno sem pesar no bolso.
Em gomas, pós ou cápsulas, suplementos só devem ser usados com orientação profissional, especialmente porque o formato não oferece benefício superior e pode até trazer riscos se consumido em excesso.
Com informações de Folha de S.Paulo