A jornalista e pesquisadora Bianca Santana afirmou que colocar em dúvida a atual configuração geopolítica não constitui nenhum “pecado”. Em artigo de opinião, a doutora em ciência da informação e mestra em educação recorda que fronteiras, Estados-nação e blocos econômicos são criações históricas, frutos de negociações e conflitos, e não leis da natureza.
Estados modernos surgiram apenas após 1648
Santana lembra que, antes do Tratado de Vestfália, a Europa era formada por feudos, reinos e alianças temporárias. Foi só depois de 1648 que a ideia de Estado soberano se consolidou, moldando o mapa europeu que conhecemos hoje.
Pluralidade nas Américas antes da colonização
No continente americano, impérios como Asteca, Inca e as cidades-Estados maias administravam milhões de pessoas com sistemas avançados de estradas, agricultura e centros urbanos. Povoações como mapuches, guaranis e tupis mantinham redes comunitárias que resistiram, e ainda resistem, a diferentes invasões.
África pré-colonial era palco de grandes impérios
A colunista cita ainda os impérios de Mali, Gana e Songhai, que dominavam rotas de comércio no Sahel, o Reino do Benim, famoso pelas esculturas em bronze, e Oió, entre os iorubás, com estrutura militar complexa. Destaca também o Império Kongo, que mantinha relações diplomáticas com a Europa no século 15, e Axum, base da atual Etiópia—país africano que nunca foi colonizado.
“Menos Trump, mais mulheres indígenas”
Ao defender a possibilidade de novos arranjos de poder, Santana faz referência a um texto anterior seu, intitulado “Menos Trump, mais mulheres indígenas”, e diz que questionar quem deve governar não viola nenhuma ordem natural. Fora da tradição judaico-cristã, acrescenta, o conceito de pecado sequer existe.
Imagem: redir.folha.com.br
Marcha das Mulheres Negras
Enquanto decisões políticas são tomadas “em salas fechadas”, observa a autora, mulheres continuam a cuidar de filhos, plantar alimento e manter redes de solidariedade. Esse cotidiano ganhará destaque em 25 de novembro, quando mulheres negras marcharão em Brasília contra o racismo e o machismo e em defesa do Bem Viver.
Para Santana, a disputa por outro modelo de mundo está em curso—e sempre esteve—, cabendo a cada geração decidir qual caminho seguir.
Com informações de Folha de S.Paulo
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