Tributo dos 50 anos dos Ramones tomou o cemitério de Hollywood, com mausoléus como cenário. John Travolta apresentou a abertura e Travis Barker liderou um elenco all-star em noite repleta de referências punk.
O Tributo de 50º Aniversário dos Ramones aconteceu em um cenário à altura da lenda: o Hollywood Forever, com seu cemitério e mausoléus servindo de pano de fundo para uma noite de punk carregada de referências e estrelas. No palco, John Travolta apareceu barbudo e usando uma boina vermelha — embora não na cor framboesa — para apresentar a performance inaugural dos punks all-star da Cretin Family. A piada do “cemitério geriátrico” foi citada em tom de humor: as pessoas estavam literalmente morrendo para entrar.
A formação dos Cretins reuniu nomes de peso: Travis Barker, o baterista ligado ao Blink-182; Tim Armstrong, guitarrista do Rancid e diretor musical do evento; Billie Joe Armstrong, cantor e guitarrista do Green Day; e CJ Ramone, baixista que integrou os Ramones. A abertura com “Rockaway Beach” marcou, conforme mencionado, a primeira vez em que Billie Joe tocou ao lado de Barker, e o set barulhento do coletivo deixou claro o objetivo da noite: homenagear os Ramones com energia e reverência.
O espaço do Hollywood Forever abrigou uma estética que misturou humor e devoção: esculturas e um cenotáfio de guitarra de oito pés (cerca de 2,4 m) em homenagem a Johnny Ramone, além de lápides simbólicas com nomes de astros clássicos do cinema e figuras do punk como Dee Dee Ramone. No público, havia diversidade geracional, inclusive crianças nos ombros, o que mostrou até que ponto o legado da banda atravessou idades e estilos.
O repertório de 20 músicas trouxe clássicos como “Cretin Hop”, “Gimme Gimme Shock Treatment” e versões aceleradas de standards norte-americanos que os Ramones costumavam reinterpretar, como “Do You Wanna Dance” (Bobby Freeman) e o surf-rock “California Sun”, que ganhou destaque na performance da banda jovem das Linda Lindas.
“A gente cresceu ouvindo Ramones no carro e em casa. A gente aprendeu ‘I Wanna Be Sedated’ logo no comecinho; eu devia ter 11 ou 12 anos.”
Lucia de la Garza, 19, guitarrista e cantora das Linda Lindas, contou que a participação com a Cretin Family foi uma honra e que a banda tinha interesse em conhecer CJ e Travis. As Linda Lindas já haviam feito turnê com Green Day e Rancid, e sua energia juvenil brilhou no palco durante a noite.
Entre as participações ilustres, Fred Armisen entregou uma versão pungente de “Danny Says” e Billy Idol subiu para interpretar “Beat on the Brat”, além de tocar “Ready Steady Go” em referência à sua trajetória com o Generation X. Ao contextualizar sua dívida com a cena nova-iorquina, Idol resumiu a influência dos Ramones de forma direta:
“é como o Roundhouse, em Londres, em 1976. A gente acelerou nossa música depois que ouviu os Ramones. Foi do caralho.”
Linda Ramone foi figura-central na organização do tributo oficial, que estava esgotado e teve caráter beneficente: o evento apoiou o Ellison Medical Institute para pesquisa do câncer — lembrança da perda de Johnny Ramone, morto em 2005, aos 55 anos, devido a um câncer de próstata. Nos bastidores, músicos e convidados circulavam pelo estacionamento próximo ao palco, reforçando o clima de encontro entre gerações do rock.
A despeito das diferenças de pegada individual – com Barker por vezes soando mais pesado que o tom clássico dos Ramones, e participações especiais alterando o fluxo de uma apresentação frenética típica da banda original — o espírito, a alegria e as músicas eram inegáveis. Depois do show, o público se espalhou pelo gramado para acompanhar a exibição do filme Carrie, dirigido por Brian De Palma e baseado na obra de Stephen King, completando uma noite que misturou culto, festa e memória punk.
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