Os suplementos ganharam espaço nas redes sociais, prateleiras de supermercados e nécessaires, prometendo desde sono melhor até pele mais bonita. No entanto, a nutricionista Rachel Woods, professora sênior de Fisiologia na Universidade de Lincoln, destaca que esses produtos exigem cautela. A especialista listou cinco pontos indispensáveis a serem considerados antes de investir em cápsulas, pós ou gomas.
1. Alimentos vêm primeiro
Segundo Woods, a função principal de um suplemento é complementar a dieta, não substituir refeições. Alimentos integrais oferecem combinações de nutrientes difíceis de reproduzir em pílulas. Peixes oleosos, por exemplo, reúnem ômega-3, proteínas, vitamina D e selênio em uma única porção. Exceções incluem uso de ácido fólico na gravidez, vitamina D no inverno e vitamina B12 para quem segue dieta vegana.
2. Excesso pode fazer mal
É mais simples ultrapassar doses seguras com comprimidos do que com comida. Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) ficam armazenadas no corpo; o excesso de vitamina D pode elevar o cálcio no sangue e prejudicar rins, coração e ossos. Doses altas de vitamina A estão associadas a danos ao fígado e riscos na gestação. Mesmo vitaminas hidrossolúveis, como a B6, podem causar problemas neurológicos quando ingeridas em grandes quantidades por longos períodos.
3. Desconfie das promessas nas redes
Termos populares como “desintoxicante”, “natural” ou “impulsionador da imunidade” não têm respaldo científico. O FDA classifica suplementos como produtos sem ação farmacológica comprovada, e eles não passam pelos mesmos testes de segurança que medicamentos. Normas de publicidade existem, mas são difíceis de aplicar, especialmente em marketing de influenciadores e esquemas de venda multinível.
4. Lucro antes da ciência
O mercado global de suplementos movimenta mais de R$ 730 bilhões. Woods lembra que, se um produto tivesse eficácia robusta, seria indicado por profissionais de saúde, não apenas por celebridades online. Entre os poucos suplementos amparados por evidências científicas sólidas estão ferro e vitamina D; a maioria das novidades chega ao consumidor impulsionada por estratégias de marketing.
Imagem: Internet
5. Nem todo suplemento é seguro para todos
Disponibilidade sem receita médica não garante segurança. A erva-de-são-joão pode interferir com antidepressivos, anticoncepcionais e medicamentos para pressão arterial. A vitamina K afeta a ação de anticoagulantes como varfarina, enquanto doses altas de ferro provocam desconforto gastrointestinal e dificultam a absorção de certos antibióticos. Muitos produtos não são testados em gestantes; altas doses de vitamina A, por exemplo, são contraindicadas na gravidez. Quem está grávida, amamenta, usa medicamentos ou possui condições médicas deve consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer suplemento.
Em resumo, suplementos podem ser úteis em situações específicas, mas não substituem uma alimentação equilibrada. Antes de investir em frascos e sachês, vale questionar a real necessidade do produto e, se for o caso, buscar orientação especializada.
Com informações de Folha de S.Paulo
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