Pesquisadores que há décadas investigam o que constitui uma vida boa identificaram um terceiro caminho além da felicidade e do significado: a chamada riqueza psicológica, caracterizada por experiências novas, mudança de perspectiva e doses de desconforto.
Três rotas para o bem-estar
Tradicionalmente, a ciência apontava dois modelos de vida satisfatória:
- Felicidade – fruto de conforto, satisfação e mais alegria do que tristeza;
- Significado – baseado em propósito, conexão social e desejo de melhorar o mundo.
Agora, o psicólogo Shigehiro Oishi, da Universidade de Chicago, propõe uma terceira via. Segundo ele, a riqueza psicológica se traduz em “histórias interessantes acumuladas ao longo da vida”, obtidas por meio de viagens, leitura, encontros inusitados ou superação de desafios.
Como surgiu o conceito
Oishi pesquisava felicidade havia 20 anos quando, durante uma crise de meia-idade, perguntou a si mesmo se sua existência era completa. A resposta o levou a investigar o papel de experiências intensas e diversas na sensação de plenitude, lacuna pouco explorada pela literatura de bem-estar.
O que dizem os estudos
Em análises de obituários, Oishi e a psicóloga social Erin Westgate, da Universidade da Flórida, constataram que vidas psicologicamente ricas costumam ser também cheias de significado, mas nem sempre particularmente felizes. Outro levantamento mostrou que, quando obrigados a escolher um único objetivo de vida, a maioria dos participantes optou pela felicidade; entre 6,7% e 16,8% preferiram a riqueza psicológica, priorizando experiências mesmo à custa de conforto ou propósito.
Perfil de quem busca riqueza psicológica
Dados indicam maior propensão entre pessoas abertas a novidades e curiosas. Esses indivíduos tendem a apresentar:
Imagem: Internet
- Maior complexidade cognitiva e visão holística;
- Confiança para lidar com dificuldades;
- Sensação ampliada de apoio social;
- Inclinação política mais liberal, enquanto conservadores relatam níveis mais altos de felicidade e significado tradicionais.
Estratégias para enriquecer a vida
Oishi, autor de “Life in Three Dimensions”, sugere práticas simples para quem deseja adicionar essa camada de plenitude:
- Abrir-se ao lúdico: permitir-se ser bobo, explorar bairros diferentes, visitar brechós ou fazer aulas de improviso;
- Dizer “sim”: aceitar convites de amigos e familiares para atividades inesperadas;
- Abraçar o desconforto: lembrar que o incômodo sinaliza crescimento pessoal;
- Registrar memórias: fotografar, escrever ou compartilhar histórias para preservar as experiências.
Para Oishi e colegas, felicidade, significado e riqueza psicológica não são excludentes; cada um oferece benefícios distintos e pode ganhar prioridade em fases diferentes da vida.
Com informações de Folha de S.Paulo
Siga a Casa das Fofocas e receba as novidades de famosos, TV e cinema em primeira mão.




