A neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, professora da Universidade Vanderbilt (EUA), publicou em agosto de 2025 uma coluna na Folha de S.Paulo contestando a defesa do determinismo absoluto feita pelo também neurocientista Robert M. Sapolsky em seu livro “Determinados: A Ciência da Vida sem Livre-Arbítrio”.
Quem é Sapolsky
Conhecido por obras de divulgação científica como “Por que as zebras não têm úlceras?” e “Junk Food Monkeys”, Sapolsky afirma, em seu título mais recente, que todos os acontecimentos — inclusive as decisões humanas — já estariam definidos pela configuração atual de átomos e partículas subatômicas no Universo.
Críticas da pesquisadora brasileira
Herculano-Houzel classifica a visão do colega como “uma crença em destino” e aponta como contradição o fato de o autor defender a possibilidade de mudança de comportamento apesar do determinismo.
Para a cientista, Sapolsky “erra ao não definir adequadamente o conceito de livre-arbítrio”, já que condiciona a sua existência à prova de um neurônio que aja sem qualquer influência prévia. Herculano-Houzel argumenta que livre-arbítrio diz respeito à capacidade de agência — poder de escolher ações e cogitar consequências — mesmo dentro dos limites impostos por fatores genéticos, biológicos e sociais.
Defesa da capacidade de mudança
A colunista ressalta que o cérebro humano possui mecanismos para representar alternativas, avaliar resultados e alterar decisões, reforçando que “mudar de ideia é a habilidade mais importante” da mente.
Imagem: redir.folha.com.br
Ao longo do texto, Herculano-Houzel rememora a admiração pelas obras anteriores de Sapolsky sobre estresse e comportamento de primatas, mas enfatiza que, em sua opinião, o novo livro não sustenta a negação completa do livre-arbítrio.
Com informações de Folha de S.Paulo
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