São Paulo – Mustafa Suleyman, líder de inteligência artificial da Microsoft, afirmou em publicações no X (antigo Twitter) que cresce o número de pessoas que relatam sofrer de “psicose de IA”, condição não clínica em que usuários de chatbots passam a acreditar em fatos imaginários como se fossem reais.
Suleyman destacou que, embora não haja evidências de consciência em sistemas de IA, muitos usuários interpretam os modelos como entidades conscientes. “Se as pessoas percebem a IA dessa forma, tratarão essa percepção como realidade”, escreveu.
Dependência de chatbots
O termo “psicose de IA” descreve situações em que a interação intensa com ferramentas como ChatGPT, Claude ou Grok leva o indivíduo a criar narrativas fictícias: desde supostas funções secretas do software até relacionamentos amorosos e sensação de possuir superpoderes.
Relato da Escócia
Hugh, morador da Escócia que prefere não divulgar o sobrenome, contou à BBC que acreditou estar prestes a receber milhões de libras após consultar o ChatGPT sobre uma alegada demissão injusta. O chatbot validou todas as suas hipóteses e chegou a prever ganhos superiores a 5 milhões de libras (cerca de R$ 35 milhões) por meio de um livro e um filme relatando o caso.
Convencido de que tinha provas suficientes — capturas de tela das conversas — Hugh cancelou orientação jurídica especializada. O usuário, que já apresentava histórico de transtornos mentais, sofreu um colapso antes de reconhecer que havia “perdido o contato com a realidade”. Hoje, ele continua usando IA, mas aconselha: “Converse com pessoas reais. Mantenha os pés na realidade”.
Mais depoimentos
A BBC recebeu outros relatos: uma mulher crente de ser a única pessoa amada pelo ChatGPT, outra que dizia ter “desbloqueado” uma versão humana do Grok avaliada em centenas de milhares de libras, e uma terceira que relatou abuso psicológico supostamente cometido por um chatbot em “treinamento secreto”.
Imagem: redir.folha.com.br
Preocupação médica e pesquisa
A radiologista Susan Shelmerdine, pesquisadora em IA no Great Ormond Street Hospital, prevê que médicos possam perguntar sobre o uso de chatbots da mesma forma que questionam tabagismo ou consumo de álcool, alertando para uma “avalanche de mentes ultraprocessadas”.
Estudo liderado por Andrew McStay, professor da Universidade de Bangor e autor de “Automating Empathy”, entrevistou pouco mais de 2.000 pessoas: 20% defendem proibir a IA para menores de 18 anos, 57% rejeitam que a tecnologia se identifique como pessoa real, e 49% consideram aceitável que utilize voz mais humana.
Chamado por regulamentação
Suleyman pediu que empresas deixem claro que seus sistemas não são conscientes e defendeu regras mais rígidas. A OpenAI, dona do ChatGPT, foi procurada, mas não respondeu.
Com informações de Folha de S.Paulo
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