São Paulo, 14 ago. 2025 – A psicanalista e pesquisadora de relacionamentos Carol Tilkian defendeu, em sua coluna “Amor Crônico”, que a exposição mínima do casal nas redes sociais é parte importante do reconhecimento simbólico do vínculo amoroso. Segundo a especialista, a recusa de um parceiro em postar fotos ou menções ao relacionamento muitas vezes sustenta uma postura de “superioridade moral” e pode manter a “porta aberta” para novas investidas no mercado afetivo.
Argumentos centrais
Tilkian cita a socióloga Eva Illouz para lembrar que o amor se transformou em produto cultural, mas afirma que existe um meio-termo entre hiperexposição e invisibilidade. Para ela, quem detém o “poder simbólico do privado” costuma classificar o incômodo do outro como insegurança, descartando o debate sobre a necessidade de reconhecimento público.
Números que sustentam o debate
• Tempo on-line: brasileiros passam, em média, 3h46 por dia conectados às redes sociais.
• Acesso: sete em cada dez brasileiros mantêm perfis ativos em alguma plataforma.
• Flerte digital: levantamento da Opinion Box mostra que 1 em cada 3 usuários já usou redes sociais para buscar um parceiro, e 61% consideram o Instagram a melhor ferramenta para esse fim.
Pesquisa sobre narrativas afetivas
Em estudo conduzido por Tilkian e pela psicanalista Camila Holpert, 1 em cada 5 relatos sobre amor nas redes ressalta a importância de ser visto e reconhecido pelo círculo social do parceiro. “Relações conjugais são sempre sociais: queremos pertencer”, afirma a colunista.
‘Situationships’ não têm idade
De acordo com Tilkian, o fenômeno das relações sem nome ou contorno — as chamadas “situationships” — afeta não só jovens, mas também pessoas de 45, 65 e 74 anos. Para ela, tornar o vínculo público oferece “chão” ao casal, enquanto a indefinição causa angústia.
Imagem: redir.folha.com.br
Convite ao diálogo
No encerramento da coluna, a psicanalista convida leitores a enviaram dúvidas sobre relacionamentos para o e-mail colunaamorcronico@amorespossiveis.love, prometendo responder semanalmente.
Para Tilkian, “tornar público o vínculo não é ceder ao mercado dos afetos, mas aceitar a renúncia mínima que todo laço exige”.
Com informações de Folha de S.Paulo
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