Sonolência intensa, perda de apetite, pele fria e azulada, respiração irregular e barulhenta: esses são alguns dos sinais que indicam a chamada fase ativa da morte, período que abrange as últimas horas ou dias de uma pessoa. O quadro, geralmente associado a doenças crônicas como câncer ou demência, foi detalhado por especialistas em cuidados paliativos ouvidos pela BBC News Brasil.
“Apagar das luzes” do organismo
De acordo com o médico Arthur Fernandes, secretário-geral da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, o corpo começa a funcionar em marcha lenta, como se luzes de um prédio fossem desligadas uma a uma. O sistema digestivo é um dos primeiros a reduzir atividade, o que explica a ausência de fome e sede. Consequentemente, a pessoa vai menos ao banheiro.
Nesse estágio, a pele tende a ficar pálida, fria e com manchas arroxeadas nas extremidades, sinal de circulação sanguínea reduzida. Mesmo assim, audição e tato permanecem ativos, razão pela qual médicos recomendam a familiares conversas em tom calmo e toques suaves nas mãos.
Ressecamento e cuidados básicos
A médica Ana Claudia Quintana Arantes compara o processo aos elementos da natureza. O “elemento água”, explica ela, corresponde ao ressecamento de olhos, boca e lábios. Para aliviar o desconforto, profissionais orientam umedecer a boca com algodão molhado, aplicar colírios e usar hidratantes na pele. A reidratação por soro intravenoso só é indicada em situações definidas pela equipe clínica.
A questão da dor
Dores, falta de ar, náuseas e vômitos podem se intensificar nas horas finais. Quando isso ocorre, medicamentos mais potentes, como morfina, são prescritos para garantir conforto. Segundo Fernandes, ter as doses disponíveis e saber administrá-las evita sofrimento desnecessário.
“Melhora da morte”
Em certos momentos, o paciente demonstra repentina melhora: fala mais, come um pouco e parece recuperar energia. Conhecido como “visita da saúde”, esse breve período pode ser aproveitado para despedidas, troca de afetos e resolução de questões pessoais. Exames ou procedimentos invasivos nesse ponto costumam ser desaconselhados por retirarem tempo precioso de convívio.
Imagem: redir.folha.com.br
O último sopro
Na etapa final, a respiração muda de ritmo — ora rápida e curta, ora longa com pausas — e pode produzir ruídos por acúmulo de secreções na garganta. A boca permanece aberta devido ao relaxamento dos músculos da mandíbula. Profissionais podem aspirar os fluidos ou usar medicamentos para aliviar o som, que costuma causar mais incômodo em quem observa do que em quem está partindo.
Após a expiração derradeira, o coração cessa, o cérebro desliga e as células param gradualmente. Arantes aconselha manter um breve momento de silêncio antes de comunicar a equipe médica, permitindo que familiares vivenciem o que ela descreve como “instante sagrado”.
Com informações de Folha de S.Paulo
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