Alterações na rotina, estresse, alimentação diferente e uso de medicamentos podem mexer — e muito — com o funcionamento do intestino. A gastroenterologista Trisha Pasricha, instrutora da Harvard Medical School e colunista da seção “Ask a Doctor” do jornal The Washington Post, respondeu a dúvidas frequentes de leitores sobre constipação, fezes aquosas e intestino lento.
Viagem e constipação
Passar dias fora de casa, seja a trabalho ou a lazer, costuma bagunçar o horário das refeições, diminuir a ingestão de água e reduzir a prática de exercícios. Segundo Pasricha, esses fatores, somados ao estresse e ao uso de banheiros públicos, contribuem para a chamada “prisão de ventre do viajante”.
Dica da especialista: iniciar um suplemento de fibra ou um laxante osmótico um a dois dias antes de embarcar ajuda a prevenir o problema. Caso a situação se agrave, a médica indica recorrer a um laxante estimulante vendido sem receita.
Fezes frequentes e aquosas
Um leitor relatou que o irmão evacua fezes soltas cerca de quatro vezes por dia. A médica explica que o “normal” varia de três vezes por semana a três vezes por dia, mas o parâmetro mais importante é o conforto do indivíduo. Se a frequência causar desconforto ou atrapalhar a rotina, a orientação é procurar avaliação médica.
Intestino mais lento após os 50
Outro participante contou que, aos 51 anos, perdeu a sensação de evacuação completa que tinha até os 48. Pasricha lembra que o corpo passa por mudanças naturais com a idade, mas outros fatores — como redução de exercícios, novos medicamentos ou aumento de estresse — podem estar envolvidos.
A fibra continua sendo “aliada poderosa”, afirma a especialista. Ela cita um estudo de 2021 que apontou o consumo de dois kiwis por dia como tão eficaz quanto ameixas para aumentar a frequência das evacuações, com a vantagem de reduzir o inchaço.
Imagem: redir.folha.com.br
Constipação associada ao Ozempic
Usuários de semaglutida (Ozempic) relatam prisão de ventre porque o medicamento diminui a motilidade gastrointestinal. Em um ensaio clínico de 2021, 23% dos participantes tiveram constipação e 44% apresentaram náusea.
Se suplementos de fibra e laxantes sem prescrição não resolverem, Pasricha orienta discutir outras opções com o médico. Há remédios prescritos específicos para constipação, além de exames que podem identificar causas adicionais.
A médica reforça que cada organismo responde de forma diferente e recomenda não sofrer em silêncio: “Informe seu médico sobre a gravidade da situação para buscarem soluções juntos”.
Com informações de Folha de S.Paulo
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