Após o hiato turbulento de 2004, o Rodox voltou aos palcos e a convivência com Rodolfo Abrantes mudou. Patrick Laplan (baixo) e Pedro Nogueira (guitarra) contam a Igor Miranda como isso impacta o dia a dia e o show.
Quando o Rodox entrou em hiato em 2004, o clima entre os integrantes estava péssimo. Parte da banda saiu logo após o lançamento do álbum Rodox (2003) e o resto caiu por terra meses depois, com uma briga durante um show. Agora, o grupo está de volta — e, pelo relato dos músicos, muita coisa mudou desde então.
Em entrevista a Igor Miranda, o baixista Patrick Laplan e o guitarrista Pedro Nogueira exploraram como está a relação entre eles e o vocalista Rodolfo Abrantes hoje em dia. Após quase duas décadas sem muito contato, a reação dos músicos dá pistas do que mudou no convívio e também no palco.
“Ele está dançando muito melhor. Ele está cantando muito bem. Ele ganhou novas ferramentas. A voz dele está mais bonita. E ele está muito engraçado. Ele me parece mais livre. Ele está leve, está zoeiro, respeitoso. E ele continua uma máquina — é muito criativo. O cara é muito rápido de cabeça, então é uma delícia estar perto dele. Não só tocar, mas estar perto do cara.”
O depoimento de Laplan descreve um frontman mais solto e criativo, alguém cuja presença traz prazer além da execução musical: a convivência foi ressaltada como um fator tão importante quanto a técnica. A ênfase na leveza e no respeito sugere que a reunião do grupo não se resumiu a um acerto de contas com o passado, mas a uma reaproximação que envolveu postura e comportamento.
“Essa conexão de todos no momento fez com que não ficasse só num show de reunião. Então a coisa tá muito mais leve. Isso passa por ele também. Então acho que isso tudo deixou as coisas muito mais fluírem de uma forma muito positiva. Com ele não é diferente.”
Na avaliação de Pedro Nogueira, a reunião do Rodox começou com a intenção de testar se a química original ainda existia — não só musicalmente, mas também interpessoalmente. Segundo ele, essa conexão coletiva é o que transformou o retorno em algo além de um evento nostálgico: virou um processo criativo com dinâmica própria.
Além das impressões sobre o convívio, há planos claros para a frente: Laplan revelou que o Rodox pretende trabalhar em um novo álbum de estúdio — o terceiro da carreira da banda e o primeiro desde a reunião. No entanto, a estratégia será priorizar a turnê atual antes de mergulhar em estúdio. Como resumiu o baixista:
“Aí encerra o ciclo de tocar o material antigo e a gente vai descobrir o que é o Rodox em 2027.”
O relato dos músicos constrói uma imagem de grupo renovado, em que o passado conflituoso não foi apagado, mas parece ter dado lugar a uma convivência mais leve e produtiva. Resta acompanhar as próximas datas da turnê e aguardar como essa nova fase se traduzirá em repertório e em estúdio ao longo de 2027.


