Dom Pedro I tem uma das biografias mais cinematográficas da história do Brasil — e, nesta quinta-feira (24), completam-se 192 anos de sua morte. Mas engana-se quem acha que a história dele termina no Grito do Ipiranga. Tem coincidência macabra, paixão proibida e até um órgão do corpo que nunca voltou para casa.
Nasceu e morreu no mesmo quarto
O imperador nasceu em 12 de outubro de 1798, no Palácio Real de Queluz, em Portugal. E foi exatamente ali, no mesmo palácio — no cômodo conhecido como Quarto Dom Quixote —, que ele morreu em 24 de setembro de 1834, aos 35 anos, vítima de tuberculose. Nasceu e morreu no mesmo aposento, com 36 anos de diferença.

O coração ficou em Portugal — e está lá até hoje
Antes de morrer, Dom Pedro I fez um pedido inusitado: que seu coração fosse retirado e entregue à cidade do Porto, em agradecimento ao apoio que recebeu dos portuenses durante a guerra civil portuguesa. O órgão está conservado em um recipiente de vidro, dentro de um vaso de prata dourada, na Igreja de Nossa Senhora da Lapa.
Já o corpo só voltou ao Brasil em 1972, nos 150 anos da Independência, e está na Cripta Imperial do Monumento do Ipiranga, em São Paulo. Ou seja: o imperador está literalmente dividido entre os dois países que governou.
Duas imperatrizes e a amante mais famosa do Império
Na vida pessoal, o imperador rendia manchete. Casou-se em 1817 com a arquiduquesa austríaca Maria Leopoldina, mãe de Pedro II e figura central na articulação da Independência. Enquanto era casado com ela, viveu um romance público com Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, relação que só terminou em 1828 e que escandalizou a corte. Em 1829, casou-se com Amélia de Leuchtenberg.
Imperador aos 23, ex-imperador aos 32
Ele proclamou a Independência aos 23 anos e foi coroado imperador poucos meses depois. Aos 32, abdicou do trono brasileiro em favor do filho de 5 anos — que viraria Dom Pedro II e reinaria por quase meio século. Ainda deu tempo de ser rei de Portugal (como Dom Pedro IV) por menos de dois meses, em 1826, antes de abrir mão também daquela coroa.
Foram 35 anos de vida, duas coroas, uma independência e um coração que ficou do outro lado do oceano.



