Quatro anos depois, Marvvila abriu o Espaço Favela no festival, enfrentando chuva e público diverso e conectando-se intensamente com a plateia. Ao descer do palco, afirmou sentir adrenalina, emoção e alívio.
Quatro anos depois da estreia no festival, Marvvila voltou ao Rock in Rio e confirmou que o pagode feminino conquistou espaço no Espaço Favela. A cantora abriu a programação do palco enfrentando chuva e a diversidade do público do evento, transformando a incerteza do clima em uma apresentação marcada pela conexão com a plateia.
Logo após descer do palco, Marvvila não escondeu a emoção e o alívio pela performance. Ainda sob o impacto do show, a cantora falou sobre a mistura de sentimentos que viveu antes e depois da apresentação.
“Eu estou na adrenalina. Respirar tranquila acho que é demais, né? Só quando eu chegar em casa é que cai a ficha, mas estou muito feliz e grata. É só quando a gente sai do palco que sente aquela emoção de fato. Confesso que no pré-show é muito difícil, porque a gente fica com medo. É o primeiro show do dia, tem a questão do tempo chuvoso… A gente sabe que no Rock in Rio não vai pegar só o público do pagode, mas ver um ‘galeirão’ curtindo e se permitindo, até todo mundo estar de braços abertos cantando no final, é a realização de um sonho”
Para ampliar o alcance e conquistar um público plural, Marvvila preparou um repertório pensado na diversidade e na ponte entre gêneros. Consciente de que nem todos na plateia eram habituados ao pagode, ela apostou em versões que aproximavam o ritmo de canções já conhecidas do grande público.
“Eu quis trazer um repertório diversificado sabendo que a massa do público aqui não era de pessoas pagodeiras. Quis fazer essas pessoas experimentarem o que é o pagode de fato. Quando a gente pega uma música que a pessoa já gosta e passa para o pagode, ela pensa: ‘Peraí, vou dar uma chance para o pagode, isso é bom!’”
No setlist, Marvvila trouxe arranjos pagodeados para sucessos de artistas como KLB, Rouge, Vanessa da Mata, Fugees e Anitta, além de revisitar referências do samba como Péricles e Alcione. A mistura de repertório teve o objetivo claro de celebrar influências femininas e ampliar a recepção do público que estava no festival.
“Eu quis homenagear mulheres que admiro. Fiz muitas versões de grandes artistas femininas que me inspiram, e foi legal demais ver como a galera curtiu”
A apresentação também destacou a estratégia de quem abre a programação: converter curiosos em ouvintes. Ao transformar músicas pop e MPB em versões com levadas de pagode, Marvvila procurou criar pontos de contato imediatos com quem talvez nunca tenha buscado o gênero por conta própria.
O retorno ao Rock in Rio, portanto, foi narrado pela artista como um momento de conclusão de ciclo e de expansão: quatro anos após a primeira participação, a volta ao palco serviu para reafirmar que o pagode feminino tem público e é capaz de ocupar espaços importantes em grandes festivais.
Publicado em 17/09/2026.
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