No livro Songteller (2020), a cantora contou que compôs a faixa para o resort DreamMore, em Dollywood. A gravação foi lacrada em uma cápsula do tempo e só poderá ser ouvida em 2045.
A lenda da música country Dolly Parton morreu nesta terça, 25. Conhecida por sucessos que atravessaram gerações — como “Here You Come Again”, “9 to 5”, “I Will Always Love You” e “Jolene” —, Parton também deixou uma curiosidade que já tinha gerado comentários públicos: uma canção inédita que os fãs só poderiam ouvir em 2045.
No livro Songteller: My Life in Lyrics, publicado em novembro de 2020, a artista contou que havia colocado essa faixa dentro de uma cápsula do tempo. A música foi composta para o DreamMore, resort localizado no parque temático Dollywood, em Pigeon Forge, Tennessee, e a caixa de madeira com a gravação foi enterrada no local. A previsão era de que a cápsula só seria aberta no aniversário de 30 anos do empreendimento, em 2045.
Em entrevistas posteriores, Parton expressou incômodo por ter concordado com a ideia. Durante uma participação no The Kelly Clarkson Show em 2022, ela disse que a espera a deixava desconfortável e que gostaria de desenterrar a gravação antes do prazo.
“Você não tem ideia de como isso me incomodou. Eu quero tanto desenterrar isso. É uma música muito boa!”
“Talvez eu esteja aqui, talvez não. Não sei de quem foi essa maldita ideia. Acho que provavelmente vai se desintegrar e ninguém nunca vai ouvir, é isso que me incomoda. Que talvez a gravação apodreça lá dentro antes que eles abram.”
Mesmo tendo aceitado a proposta originalmente, Parton admitiu que esconder a faixa foi um desafio emocional para ela. Em outra declaração, a cantora comparou a sensação de aguardar o resgate da música ao de colocar um filho de repouso sem ter a certeza de vê-lo novamente.
“Isso está me queimando por dentro que tenho que deixar isso pra lá. É como enterrar um dos meus filhos, colocá-lo no gelo ou algo assim, e não estarei por perto para vê-lo trazido de volta para a vida.”
A confirmação do falecimento de Parton foi feita por seu sobrinho, Brian Seaver, que anunciou a notícia em vídeo publicado no Instagram.
“Estou representando as famílias Parton e Owens hoje para anunciar o falecimento da minha tia, Dolly Rebecca Parton Dean.”
Ao longo da carreira, Parton construiu um legado tanto como intérprete quanto como compositora, e a história da cápsula do tempo acrescenta um capítulo íntimo à sua trajetória. A decisão de manter uma composição inédita guardada até 2045 já havia gerado repercussão entre fãs e veículos de imprensa, sobretudo por causa do apego da artista ao material e de sua vontade, expressa publicamente, de que a canção fosse ouvida por públicos de sua própria geração.
Com a morte anunciada nesta terça, 25, a questão sobre o que acontecerá com a cápsula do tempo e com a gravação ganhou contornos práticos e emocionais. A previsão de abertura em 2045 permanece como estabelecida originalmente: será no marco dos 30 anos do DreamMore, quando a caixa deverá ser retirada do local onde foi enterrada e a faixa, enfim, apresentada ao público.
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