Reciclagem — Mulheres respondem por 53% das pessoas que dizem separar o lixo no Brasil, contra 37% dos homens, segundo pesquisa do Instituto Recicleiros.
- Dados da pesquisa “O Brasil que diz sim, mas não separa!” ouvem 4.419 pessoas em 11 cidades.
- Mulheres representam 51% da população brasileira, segundo o IBGE, mas concentram a tarefa da reciclagem.
- O país gera 81,6 milhões de toneladas de resíduos ao ano e recicla entre 4% e 8% desse total.
- Dos 800 mil catadores no Brasil, 70% são mulheres; a maioria trabalha em condições informais.
Quem separa o lixo são elas
A pesquisa, apurada ao longo de dois anos pelo Instituto Recicleiros em parceria com Vox Lab e SIG, revela um descompasso: embora as mulheres sejam pouco mais da metade da população, elas aparecem com maior frequência como responsáveis pela separação do lixo em casa.
As entrevistas foram feitas em horário comercial e as equipes relataram que, muitas vezes, havia apenas mulheres em domicílio — e até quando homens atendiam, costumavam chamar mães ou esposas para responder.
Especialistas alertam sobre sobrecarga
Para quem acompanha sustentabilidade, o problema é mais amplo: transformar a separação em tarefa exclusiva de quem já acumula cuidados domésticos limita a expansão da prática.
“Isso é preocupante porque a reciclagem não pode ser entendida como uma responsabilidade doméstica de uma pessoa só, muito menos das mulheres, mas como um compromisso coletivo, cidadão e compartilhado” — Isabela De Marchi, gerente de Sustentabilidade para a América do Sul da SIG
“Quando uma prática como a separação dos resíduos acaba concentrada em quem já acumula grande parte das responsabilidades domésticas, existe um limite natural de escala. Se a sustentabilidade continuar sendo percebida como ‘mais uma tarefa da casa’, dificilmente vamos avançar na velocidade que o país precisa” — Isabela De Marchi, gerente de Sustentabilidade para a América do Sul da SIG
Catadoras: maioria feminina e invisibilidade
No Brasil, 90% dos recicláveis passam pelas mãos de catadores, e entre os 800 mil trabalhadores do setor, 70% são mulheres. Muitas vivem em situação de informalidade e enfrentam discriminação, falta de proteção social e ausência de políticas públicas adaptadas às suas necessidades.
“São mulheres que sustentam famílias, movimentam a economia circular e desempenham um serviço ambiental essencial para as cidades brasileiras” — Mônica Alves, pesquisadora de comportamento e inovação do Instituto Recicleiros
“Não faz sentido discutir sustentabilidade mantendo invisíveis exatamente os trabalhadores que operacionalizam essa sustentabilidade” — Mônica Alves, pesquisadora de comportamento e inovação do Instituto Recicleiros
Educação e infraestrutura ainda falham
Embora cerca de 80% dos lares digam separar resíduos, as respostas mostram confusão: falta de tempo, desconhecimento das regras e infraestrutura insuficiente são barreiras citadas pelos entrevistados.
Especialistas defendem campanhas que tornem a reciclagem prática e compartilhada, além de investimento público e privado para facilitar a rotina das famílias. Mais detalhes da reportagem original podem ser lidos em https://revistamarieclaire.globo.com/retratos/noticia/2026/05/reciclagem-desigualdade-genero-mulheres.ghtml.
“Passei muita raiva” — Maria Helena Rodrigues, assessora de imprensa
“Noto que há uma dificuldade ou má vontade em entender a diferença entre os tipos de materiais ou que é preciso lavar o lixo antes de dispensá-los para não contaminar o container. Notei uma colaboração maior das mulheres, que aderiram rapidamente, mas a resistência dos homens é infinitamente maior. Vejo que ainda tem muita resistência a ser vencida. Os homens, principalmente, estão acostumados a ter mulheres fazendo essas coisas por eles.” — Maria Helena Rodrigues, assessora de imprensa
Transformar a reciclagem em rotina cidadã exige informação clara, infraestrutura e a redistribuição real das responsabilidades dentro e fora de casa.
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Crédito da imagem: Reprodução / Revista Marie Claire
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