Nos últimos tempos, uma ideia polêmica tem circulado nos debates eleitorais: a de que o voto feminino teria menor valor. Essa afirmação ganhou fôlego nas últimas semanas devido a declarações de figuras da direita brasileira durante a corrida eleitoral de 2026. Um dos comentários mais controversos veio do blogueiro Paulo Figueiredo, que afirmou em seu canal no YouTube que mulheres “votam estatisticamente muito mal”, principalmente as solteiras, enquanto as casadas tenderiam a seguir o voto dos maridos.
“Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Mulheres casadas, em geral, tendem a acompanhar o voto do marido”, declarou Figueiredo.
Essa declaração gerou grande repercussão, chegando até a Procuradoria-Geral da República e mobilizando a bancada feminina no Congresso Nacional. No entanto, a questão que persiste é: existem dados que sustentem essa ideia de que o voto feminino é de menor valor?
Uma sondagem da Meio/Ideia revelou que seis em cada dez brasileiros (60,6%) discordam da afirmação de que “mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras”. Além disso, 44% discordam totalmente, enquanto 16,6% discordam parcialmente dessa declaração.
Consultando bases de dados oficiais do TSE e do IBGE, os números mostram um cenário bem diferente. As mulheres representam a maioria do eleitorado no Brasil, com 81.806.914 eleitoras, ou 52,47% do total, contra 74.076.997 eleitores homens (47,51%) nas Eleições Municipais de 2024. Em quase 62% dos municípios brasileiros, o eleitorado feminino é maioria.
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A presença feminina nas urnas é significativa, com dados do estudo publicado na revista Caderno CRH mostrando que a taxa de comparecimento das mulheres na eleição de 2022 foi de 80%, dois pontos percentuais acima dos homens. Historicamente, as mulheres têm uma taxa de presença maior nas urnas.
Em termos de escolaridade, as mulheres também estão à frente. Segundo o IBGE, elas são maioria entre os concluintes do ensino superior no Brasil, o que refuta a associação entre voto feminino e falta de informação.
Nos EUA, um dado frequentemente citado é que o eleitorado feminino tende a votar no Partido Democrata. Apesar disso, essa tendência não significa votar “mal” ou “bem”, mas sim uma preferência política legítima.
A ideia de que as mulheres votam “mal” é uma reciclagem de antigos argumentos que sugeriam que elas seriam “emocionais demais” para política. No entanto, os dados atuais demonstram a importância e a influência do voto feminino nas eleições brasileiras.



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