O tradicional balanço do verão norte-americano, encerrado em setembro, mostra que Hollywood arrecadou US$ 3,67 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões) em bilheteria nos Estados Unidos em 2025. O resultado praticamente repete o de 2024 e ficou abaixo da projeção da consultoria Gower Street, que esperava alta de 14% e receita de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 23 bilhões).
Menos estreias, menos receita — mas não só isso
Os estúdios lançaram 45 filmes “wide” (lançados em grande circuito) entre maio e agosto, contra 51 no mesmo período de 2024. A oferta menor já explica parte da queda, mas outros fatores pesaram:
- Em 2024, “Divertidamente 2” e “Deadpool & Wolverine” passaram de US$ 600 milhões cada nos EUA. Em 2025, o topo ficou com “Lilo & Stitch”, que somou US$ 423 milhões.
- Os fracassos de “Bailarina” (US$ 135 milhões de bilheteria para um orçamento estimado em US$ 90 milhões), “Karatê Kid: Lendas”, “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda!” e “Elio” também puxaram a média para baixo.
- A Marvel, que em 2024 arrecadou US$ 604 milhões com um único título, não chegou a US$ 460 milhões somando “Thunderbolts*” e “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”.
Boas notícias entre os números frios
A temporada registrou 11 filmes acima de US$ 100 milhões, dois a mais que no ano anterior, diluindo a dependência de poucos sucessos. Surpresas positivas incluíram “F1: O Filme”, “Pecadores” e “A Hora do Mal”.
A Warner Bros. emplacou “Superman”, que arrecadou US$ 351 milhões nos EUA e US$ 611 milhões mundialmente, garantindo o pontapé inicial do novo universo DC. Já a A24 viu sua receita crescer 160% ao apostar em produções fora de grandes franquias.
Nas salas premium, a Imax Corporation registrou aumento de 41% na bilheteria do segundo trimestre, indicando que o público topa pagar mais por melhor experiência visual e sonora — tendência reforçada pelo bom desempenho de filmes de terror.
Olho em 2026
O próximo verão promete títulos de peso, como “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, “Minions 3”, “Toy Story 5”, um novo “He-Man” e “Odisseia”, de Christopher Nolan. A expectativa é que essas estreias recoloquem o faturamento em trajetória de alta.
Imagem: Internet
Geração Alpha prefere a telona
Levantamento da National Research Group aponta que 59% dos nascidos a partir de 2010 preferem assistir a filmes no cinema, contra 24% que optam pelo conforto de casa. O desafio, segundo executivos, é oferecer franquias e experiências que convençam os pais a levar as crianças às salas.
Realidade brasileira
O Brasil contabiliza 3.509 salas, o equivalente a 60,8 mil habitantes por tela. Nos EUA, são 39.007 telas (8,9 mil habitantes por sala). A Semana do Cinema, realizada entre 28 de agosto e 3 de setembro com ingressos a R$ 10, levou 2,26 milhões de pessoas aos cinemas após o pior fim de semana do ano (766 mil ingressos). Apesar da ação, muitos internautas relataram a falta de salas em suas cidades.
Mesmo com os números abaixo do esperado, analistas veem margem para recuperação caso os estúdios ampliem o leque de lançamentos, mantenham a aposta em formatos premium e consigam atrair o público mais jovem.
Com informações de UOL
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