Venda da Warner Bros acende alerta de segurança nacional nos EUA
Venda da Warner Bros Discovery entrou no radar político dos Estados Unidos depois que dois congressistas democratas exigiram a revisão da proposta de US$ 108,4 bilhões apresentada pela Paramount Skydance, financiada por fundos soberanos do Oriente Médio.
Pressão no Congresso para acionar o CFIUS
Sam Liccardo e Ayanna Pressley enviaram carta ao conselho da Warner Bros. Discovery (WBD) pedindo que o negócio seja submetido ao Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA (CFIUS). Na avaliação dos parlamentares, a participação dos fundos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi cria risco “inaceitável” de interferência política e acesso a dados sensíveis dos assinantes da HBO Max e demais plataformas do grupo.
Inquietação com investidores de regimes autocráticos
O ponto mais crítico envolve o Fundo de Investimento Público Saudita (PIF), controlado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. O PIF foi citado por agências de inteligência americanas no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, fato que reacendeu a preocupação com liberdade de imprensa. Para Liccardo e Pressley, permitir influência de governos autocráticos em marcas como Warner Bros., CNN e DC Comics comprometeria a independência editorial que sustenta o ecossistema midiático norte-americano.
Participação de Jared Kushner amplia polêmica
Além dos fundos árabes, a oferta da Paramount conta com aporte da Affinity Partners, gerida por Jared Kushner, genro de Donald Trump. A empresa afirma que nenhum investidor estrangeiro terá poder de governança; porém, os congressistas lembram que a legislação define “controle” de forma ampla e inclui acesso potencial a informações pessoais de milhões de usuários, como histórico de visualização e dados financeiros.
Netflix oferece menos, mas com menor risco regulatório
Para o mercado, o lance de US$ 30 por ação da Paramount parece mais atraente do que a proposta de US$ 83,7 bilhões apresentada pela Netflix. Mesmo assim, analistas alertam que um processo de revisão do CFIUS pode atrasar ou inviabilizar a fusão, gerando custos extras e incerteza jurídica. A eventual imposição de venda de ativos pelo futuro Congresso ou por outra administração tornaria a operação menos vantajosa para os acionistas.
Consequências para a cultura e a segurança de dados
Especialistas em mídia observam que o impasse ultrapassa as cifras. A possível venda da Warner Bros envolve catálogos icônicos de cinema, séries e notícias que moldaram a cultura pop ao longo de um século. A entrada de capitais associados a regimes que limitam a liberdade de expressão é vista como ameaça tanto à integridade do conteúdo quanto à proteção de dados do público americano, tema que já motiva legislação específica para plataformas digitais.
Próximos passos
O conselho da WBD ainda não se pronunciou sobre a solicitação dos congressistas. Caso o CFIUS seja acionado, o órgão poderá impor restrições, exigir participação minoritária ou barrar totalmente a transação. De acordo com análise da Variety, o desfecho deve definir não só o futuro da Warner Bros, mas também o controle de narrativas em um setor cada vez mais estratégico para a geopolítica.
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Crédito da imagem: Variety
Fonte: Variety
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